Reconhecer Guaidó é uma vergonha, diz Lula

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Nesta parte da entrevista exclusiva dada ao EL PAÍS e ao jornal 'Folha de S.Paulo', o ex-presidente Lula analisa o cenário político internacional, fala sobre o Governo Bolsonaro e diz ser grato ao vice, Hamilton Mourão, por dizer que a ida dele ao velório do neto era uma questão humanitária. Leia abaixo os principais trechos e, aqui, todas as demais partes da conversa.

Pergunta. Como o senhor recebeu a notícia sobre a morte do ex-presidente Alan Garcia no Peru [que se suicidou quando seria detido por policiais da Lava Jato peruana]?


Resposta. Alan Garcia teve uma reação psicológica que muita gente teve. Não é todo mundo que aguenta. Você quer saber uma coisa? A Marisa [sua mulher que morreu em 2017 de AVC] morreu por conta disso. Quem está falando é um homem de 73 anos de idade. A dona Marisa morreu por conta do que fizeram com ela e com os filhos dela. Dona Marisa perdeu motivação de vida, não saía mais de casa, não queria mais conversar nada. O AVC dela foi por isso. Agora, não pense que por causa disso vou ficar com o coração cheio de ódio, não, aqui tem muito lugar para amor. O Alan Garcia não deve ter suportado. Não sei qual era a acusação contra ele. Tem que ter muita decisão. Eu sei o que eu passei. Você não tem noção do que é passar seis meses esperando todo santo dia que a policia fosse à sua casa. Seis meses. E de repente você vê a polícia chegar com uma desfaçatez, todo mundo com maquina fotográfica no peito para tirar fotografia. Deveriam ter mostrado a quantidade de dólar que acharam na minha casa. A quantidade de joias que acharam de dona Marisa. Deveriam ter tirado foto e mostrado pra Globo. Enfiaram o rabo no meio das pernas porque não encontraram nada. E a imprensa não fala que não encontraram nada na casa do Lula. É duro. Não queira que isso aconteça com você. Conheço casos de pessoas que estavam em cadeira de rodas, pediam pra ir no banheiro e diziam ‘se você não falar o nome do Lula não vai ao banheiro’. Tenho muita motivação para estar vivo. Estar vivo e não fazer nenhuma loucura é a forma que eu encontrei de ajudar esse país a se reencontrar com a democracia.

Veja a entrevista aqui.
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