João Paulo Rillo: a farsa da economia de Alckmin

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Vejam como são as coisas. O governador de São Paulo [denominado Geraldo Alckmin (NR)] convocou a imprensa em uma entrevista festiva, que rendeu longas e acríticas reportagens, para dizer que, ao longo de 3 anos, seu governo atingiu a façanha de economizar, ao todo, 997 milhões de reais.

O fato foi alardeado como grande conquista, supostamente atingida por meio de um comportamento austero com o dinheiro público.

Numa evidente ação de marketing eleitoral, Alckmin se apresentou como um governante zeloso de seu povo, e apelou para a frase da ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher: “Não há dinheiro público, há dinheiro das famílias”.

Um verdadeiro espetáculo de escárnio.

Para começar, o Orçamento paulista supera os 200 bilhões por ano, ou seja, mais de 600 bi entre 2015 e 2017, período apresentado por Alckmin aos jornalistas.

Portanto, a grande festa está se dando por conta de uma (suposta) economia de 0,16%. Só a estimativa do CADE do montante desviado pelo cartel dos trens é bem superior a isso, mas, para este debate, vamos ignorar o que se esvai pelos ralos da materialmente comprovada corrupção tucana.

Vamos nos ater à jocosa ideia de que trata-se de uma administração que zela pelo “dinheiro das famílias”.

Vamos falar sobre como o Hospital Universitário da USP está sendo estrangulado até a morte, aliás, morte que é um subproduto do grande estrangulamento das universidades estaduais, que depois de cortarem na excelência, na qualidade e nos serviços, agora já sequer conseguem cumprir suas obrigações trabalhistas. Vai bem o dinheiro dessas famílias sem 13º e sem assistência médica?

Como está o dinheiro das famílias dos professores, dos policiais, enfermeiros, médicos, enfim, dos servidores do Estado que há pelo menos três anos não recebem SEQUER a reposição da inflação em seus salários?

É com este dinheiro que está sendo feita a economia de 0,16%?

Como está o dinheiro das famílias dos agentes de organização escolar, categoria que ganha MENOS que o salário mínimo?

Ou dos professores temporários que a partir de 2019 voltam a ser obrigados a aguardar DUZENTOS DIAS entre contratos de trabalho?

Contratos que serão cumpridos em um número cada vez menor de salas de aula, já que segue tranquilamente o projeto de fechamento de salas por todo o Estado.

Ah, sim: e a Educação em 2018 terá DE NOVO um montante de investimentos abaixo do mínimo constitucional (http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/06/1891210-para-cumprir-lei-alckmin-inclui-ate-aposentadoria-em-gasto-de-educacao.shtml). Ou, como ele gosta de chamar, vai “economizar”.

Para não falar da recente aprovação do PL 920, que congela os gastos sociais primários por dois anos, achatando ainda mais salários e recursos.

Austeridade no bolso dos outros é refresco.

Que diferença impressionante, aliás, é 0,16% em relação ao aumento do custo do quilômetro do mítico monotrilho, que acaba de ter mais um empréstimo aprovado e vai sair – por enquanto! – 351% mais caro do que o previsto.

Quando se compara esse quase bilhão aos 15 bilhões que o governo deu de graça em desonerações para empresas devedoras só em 2017. Então, ele fica menor ainda (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1933060-fiscalizacao-do-tce-ve-caixa-preta-e-manobra-fiscal-de-alckmin.shtml).

João Paulo Rillo: troco de Alckmin

Preto no branco: esses 997 milhões alardeados são menos do que o governo do Estado dá de troco pra incentivar o uso de agrotóxicos (http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2017/10/com-incentivos-tributarios-aos-agrotoxicos-sao-paulo-deixa-de-arrecadar-r-1-2-bilhao-ao-ano).

Só existe economia quando as obrigações estão cumpridas. Isso está muito longe de ser o caso do Estado de São Paulo.

Não foi à toa que Alckmin escolheu justamente uma fala de Margareth Thatcher, a pessoa responsável pelo desmonte do estado de bem-estar social britânico e pelo massacre da classe trabalhadora daquela nação. Pelo menos foi coerente.

João Paulo Rillo
, Viomundo
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