Deu no Robert Lobato: Sexta-feira Quente: Frederico Luiz

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Robert Lobato

Hoje a coluna Sexta-feira Quente de hoje conta com a presença do amigo, radialista, blogueiro e sangue bom, Frederico Luiz, editor do blog Direto da Aldeia, lincado no top list do Blog do Robert Lobato.

Uma entrevista boa e interessante com esse que se autodefine como “marxista clássico’.

Frederico Luiz é militante político e social engajado nas lutas populares desde a tenra idade nas brenhas do sertão paraibano.

Pernambucano de nascença, Frederico Luiz Maciel contou um pouco da sua história, falou sobre a militância política na esquerda, avaliou a imprensa maranhense, inclusive a nossa blogosfera; também enfrentou perguntas espinhosas sem tergiversar, como no caso do seu rompimento com o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, e ainda sobre a conjuntura atual, eleições 2014 e seu projeto político para o ano que vem – Frederico disputará uma vaga na Assembleia Legislativa.

Fiquem com a íntegra da entrevista com o nosso grande Frederico Luiz.
“No Maranhão, no atual momento, resta poucos espaços para terceira via, campo que foi promissor em 1994 com Jackson Lago e a Frente Ética, e em 2010 com o próprio Flávio Dino”.

Frederico por ele mesmo

Um marxista clássico. O mundo ainda terá de mudar bastante para o marxismo ser superado. Nada o impede que ele seja acrescentado, como ele mesmo previu. Nada impede as marchas e contramarchas, os avanços e os recuos.

Tempos de juventude

Tive uma juventude típica do fim dos anos de chumbo. Nascido em 1967 em Recife. Aos 12 anos, no oitavo ano do antigo curso ginasial, já em Patos, interior da Paraíba, fui eleito primeiro orador do Centro Cívico Carlos Gomes do Colégio Diocesano. Aos 13 anos fui eleito Assessor Estudantil do Centro Cívico Padre Anchieta, com 13 anos, estava no primeiro ano do então curso científico, à noite estudava o curso normal, a primeira turma com homens da cidade, e fui Relações Públicas do Centro Cívico Teodósio de Oliveira Ledo. Na mesma época fui eleito presidente do Interact Club de Patos e Representante do Distrito 450 (PE, CE, RN e PB) junto a Rotary Internacional.

Ingressei na universidade em 1983. Fui diretor de imprensa e presidente do Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica (UFPB) em Campina Grande; presidente do Conselho Fiscal do Clube do Estudante Universitário (CEU); membro e líder da bancada dos estudantes no Conselho Universitário, coordenador nacional da juventude de Viração [trata-se a tendência do movimento estudantil dos anos 80 ligada ao PCdoB] para as Engenharias.

Em João Pessoa, ainda com 20 anos, fui diretor de Imprensa da Federação Paraibana das Associações Comunitárias (Fepac) e conselheiro da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam).

Aos 21 fui eleito “cipeiro” [membro da CIPA] da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba e em seguida delegado de base do Sindicato estadual dos Eletricitários e ainda presidente do Conselho Administrativo do Gresat (Grêmio Recreativo e Social Artur Tinoco). Do comando da primeira greve da categoria em 1991.

Até 1992 fui da executiva do PCdoB do Comitê Distrital I da capital paraibana, membro titular do comitê regional daquele estado e delegado ao 7º Congresso Nacional.

Imperatriz

Fui adotado por Imperatriz e pelo seu “Imperador”, o Tocantins [rio Tocantins]. No orfanato da vida, após sair da Paraíba perambulei pelos estados do Tocantins, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia… Até que o calor e o carinho daquela cidade onde existe o rio me envolveu e me deu novamente um lar. Voltei a militância social naquela cidade em 1998 como coordenador do Centro de Direitos Humanos Padre Josimo em gestão tripartite com Conceição Amorim e Conceição Formiga.

A militância política e social

A militância social surge em Patos num dos grupos de jovens de Rotary Internacional, no Interact Club. Participei da implantação da vacinação contra poliomielite no País, a ditadura não estava nem aí, éramos nós, crianças, entre 12 e 15 anos que aplicávamos as gotinhas nos bebês e nos jovens, trabalho voluntário que começou e somente depois foi encampado pelo governo.

Daí foi um passo para as entidades de juventude, os centro cívicos na ditadura eram coordenados por um professor, somente com a Constituinte de 1988, graças a emenda do deputado federal Aldo Arantes, surgiram os atuais grêmios livres.

A militância política surgiu também em Patos. Não perdia um comício da oposição, do então MDB. Ainda garoto ficava admirado com os comícios que defendiam a liberdade com os líderes locais, Adão Eulâmpio, Abidias Guedes e Agamenon; e os estaduais, Antônio Mariz e depois Edivaldo Mota, entre outros.

Opção pela esquerda

Em Campina Grande, primeiro passei a integrar a Juventude de Viração, depois entrei no PCdoB quando a sigla ainda estava na clandestinidade (1984). Em 2000, já no Maranhão, entrei para o PCB. Agora, sigo o caminho de outros nomes destas duas agremiações que se abrigaram no PDT a exemplo do mineiro Sérgio Miranda, da maranhense Maria Aragão, do ludovicense Aldionor Salgado e do brasileiro Luiz Carlios Prestes.

Candidaturas de senador

Fui candidato a senador duas vezes, em 2002 e 2006 pelo PCB. Tenho grandes amigos na sigla até hoje, incluindo o atual presidente da sigla em Imperatriz, Deuzimar Negreiros; a ex-presidente nacional, Zuleide Faria de Melo; o atual presidente, Ivan Pinheiro, em quem votei no primeiro turno a eleição presidencial passada; em João Lisboa, Juarez Inácio; em São Luís, o presidente estadual e ex-vereador Joberval Bertoldo; e ainda Ildeci e Sildeane Coutinho que foi candidata a vice-prefeita na eleição passada; Mendes e Elcimar Maria etc. São muito, muitos amigos mesmo.

O jornalismo

Desde jovem fui candidato nesta área quando não era candidato a presidente das entidades. Sou radialista, mais precisamente um locutor-entrevistador e também diretor de programação. Eu nem sei se tenho vocação para a comunicação social. Mas, que sou apaixonado por ela… isso sim!

A imprensa maranhense

Nossa imprensa está muito mais democrática, considerando a blogosfera, os ativistas digitais do Facebook e Twitter e as novas páginas que surgem na mídia eletrônica. A mídia tradicional, infelizmente, continua tudo dantes. Com o surgimento das novas TVs e das rádios digitais, espera-se mais arejamento neste setor.

No interior, respira-se mais democracia com as rádios comunitárias.

A blogosfera local

Temos muita qualidade por aqui. Acompanho os eventos do Centro de Estudos Barão de Itararé e posso perceber tanto a nossa qualidade quanto a nossa influência. O que nos falta ainda é a incorporação DE mais elementos em nossa blogosfera.

Essa é a nossa vantagem. Somente nós, em cada aldeia, podemos noticiar o particular e o geral. As grandes embarcações, as páginas ligadas à mídia tradicional são pesadas demais para contar o que se passa no Itaqui-Bacanga, Santa Rita, Imperatriz ou em Lago da Pedra etc. Mas, a gente também pode dar nossa versão sobre os grandes temas nacionais como o novo marco civil da internet, a sucessão presidencial, entre outros assuntos.

Segurança e política estão bem cobertos, Mas, podemos entrar noutros temas também como tecnologia, ciência, educação e saúde.

Poucas blogueiras - É um reflexo do Brasil e do Planeta. Elas fazem sucesso, mais ainda são poucas. Ana Kelly em Imperatriz e Sílvia Tereza em São Luís são alguns exemplos. Mas, em compensação, as mulheres dominam no Facebook e no Twiiter.

A influência política de Madeira na região sul do MA

Quem troca de lado como quem troca de pena é o tucano Madeira
Os prefeitos, de um modo geral, em todo o País, tem pouca importância numa eleição cada vez mais nacionalizada e estadualizada. O esforço das forças políticas na acirrada disputa municipal do ano passado deveu-se a sua importância, dos prefeitos e prefeitas, para as eleições para o Congresso Nacional e as respectivas Assembleias Legislativas. Aí, neste quesito, eles são determinantes.

“Governador do sul” – Isso de considerar o prefeito Madeira uma espécie de “Governador do Sul” é uma gesto carinhoso, somente isso. Assim como o prefeito de Pinheiro é o “governador” da Baixada Maranhense e o de Caxias, dos Cocais. Mas, a rigor a influência do prefeito de Imperatriz está limitada a leste por João Lisboa, ao norte por Açailândia, a oeste pelo Rio Tocantins e ao sul por Governador Edson Lobão.

O legado de Jackson na Região Tocantina

O legado de Jackson Lago ainda é muito grande na Região Tocantina, em particular na cidade de Imperatriz. É o Jackson da ponte, da rodoviária, do estádio, das grandes obras. É o Jackson que passou o réveillon conosco, ouvindo Chiquinho França, Erasmo Dibel e Reginaldo Rossi.

Igor Lago aliado do prefeito Madeira - Por isso que é política em vez de engenharia ou medicina. Esse tipo de aliança me lembra os versos de Zé Limeira: Casemos no ano 15 da seca de 23, ela era uma linda donzela, viúva de sete mês, e não me lembro que tenha, ficado prenha, estado de gravidez!

Rompimento com Madeira

Em 2008 eu apoiei o candidato do PDT que indicou o vice de Madeira (Jean Carlo). Em 2012, repeti a dose, votei no candidato do PDT. Quem troca de lado como quem troca de pena é o tucano Madeira. Aliás, ele é especialista em encantar quem chefia o Palácio dos Leões. Recebeu apoio decidido de José Reinaldo, Jackson Lago e agora de Roseana Sarney. Fica o mistério, ninguém sabe o que ele faz encantar gestores tão diferentes, mas igualmente tão encantados por ele.

O fracasso da candidatura Carlinhos Amorim/2012

Eu e Márcio Jerry [presidente estadual do PCdoB] defendíamos um posicionamento claro de oposição político-administrativo ao prefeito Madeira no início da campanha. O candidato e seu vice preferiram outro discurso. Somente bem depois de ser ultrapassado pela segunda colocada, Rosângela Curado, que concorreu pelo DEM, mas hoje está no PDT, então a campanha foi reposicionada, mas aí, novamente de forma equivocada, como uma metralhadora giratória atirava para todos os lados. No meio daquela turbulência eu brincava quando entrava nosso programa eleitoral nos últimos 30 dias, então eu dizia: agora, é o PSTU!

Relação profissional com Weverton Rocha

As críticas imputadas a Weverton Rocha no caso específico de corrupção são todas infundadas e injustas. A mais célebre, o caso do Ginásio Costa Rodrigues, agora com a conclusão dos estádios da Copa, são devidamente esclarecidas. Todos os estádios reconstruídos foram colocados abaixo. Não foi uma simples reforma. Assim, temos o Novo Maracanã, bem moderno. O Novo Costa Rodrigues teria tacos com molas, uma das exigências para jogos internacionais. Não seria uma simples reforma como as que foram feitas no Nhozinho Santos e no Castelão. Infelizmente, o governo de Jackson Lago foi interrompido, condenado por promover corrupção eleitoral, de abusar do poder econômico para se eleger governador, acusações também injustas. O estádio de Imperatriz foi 90% concluído e foi todo colocado abaixo, tem elevador e rampas para deficientes, entre outros itens que faltam aqui na capital. Weveton Rocha que nasceu em Imperatriz é um jovem lutador e por ser jovem tem o tempo político necessário para reconstruir sua imagem e já está fazendo. A história o absolverá, como tem feito com muitos. Vale lembrar que inexistem quaisquer condenações contra ele.

PDT e a vaga de vice-governador

Ainda é muito cedo para definir toda a chapa majoritária da oposição, que inclui também dois suplentes para o senado. O PDT integra o “Partido do Maranhão”, que reúne outras siglas. Em junho, com muita maturidade e mais ainda com muito desejo de renovação e mudança estaremos todos juntos. O Palácio dos Leões definiu seu candidato ao governo e ao Senado, mas também está sem definição de vice.

Possibilidade de candidatura própria do PDT

Em política “até Boi avua”, repetia um ex-vereador de Imperatriz. Nada pode ou deve ser descartado.

Particularmente, trabalho para todos nós pedetistas apoiarmos Flávio Dino para governador. No entanto, esclareço que sequer integro o diretório regional pedetista, apenas faço parte da Comissão Provisória de Imperatriz presidida pelo deputado estadual Carlinhos Amorim.

Candidatura Flávio Dino

Um céu de brigadeiro para ele até aqui. Se melhorar… estraga! É o candidato a governador melhor situado em todo o Brasil, considerando a diferença para o segundo colocado.

A disputa para o senado e a oposição

Quem ganha a eleição para governador no primeiro turno arrasta o nome do senador. Em todo o País é assim, não será diferente no Maranhão. Caso Luís Fernando continue nos atuais níveis ele não apenas perderá a eleição, mas será o responsável pela derrota da governadora Roseana Sarney.

Tem duas exceções no Brasil que justificam esta regra. Pedro Simon no Rio Grande do Sul e Eduardo Suplicy em São Paulo. Eles fazem uma eleição a parte e independem do fracasso ou do sucesso de seus respectivos candidatos ao governo.

Luís Fernando e a renovação do Grupo Sarney

Renovação é quando a liderança elabora a complexa sucessão no seu próprio grupo político. Posso citar exemplos recentes. Em 1982 os coronéis do Ceará Juarez Távora, Adauto Bezerra e César Cals abdicaram em favor de Gonzaga Mota.

Em 2010, Lula também abriu mão de um terceiro mandato certo em favor de Dilma Rousseff e ainda preteriu Marina Silva ou Eduardo Campos. E hoje, é a presidenta quem dá as cartas, quem duvidou foi demitido do governo.

Washington Luiz, ao assumir uma vaga no TCE no começo desta semana, obriga o Partido dos Trabalhadores a uma renovação.

Difícil imaginar que Roseana deixará seu papel de protagonista em favor de Luís Fernando. Ela permanece como líder principal do grupo, então, não é renovação, trata-se de simples sucessão imposta pela lei que não permite um terceiro mandato.

Flávio Dino, o pós-Sarney e a dicotomia política

Uma coisa é o discurso, outra é o referencial deste discurso. Em 2008, Flávio Dino era uma força política emergente, uma promessa como futuro líder estadual. Em 2010, ao chegar em segundo lugar na disputa pelo governo do Estado, ele consolidou-se como o outro polo da política maranhense.

Então, os eleitores mudam de expectativa, da mesma forma que mudarão de novo caso ele, Flávio Dino, confirme o favoritismo e vença as eleições estaduais do próximo ano. Então, o que mudou foi o referencial, o discurso, as propostas, o conjunto das ideias praticamente continuam as mesmas.

Sobre a dicotomia é o discurso típico de quem pretende ser terceira via. No Brasil, Marina e Eduardo juntos tem futuro porque no mínimo elegerão uma bancada respeitável de governadores e congressistas. No Maranhão, no atual momento, resta poucos espaços para este campo que foi promissor em 1994 com Jackson Lago e a Frente Ética e em 2010 com o próprio Flávio Dino. Mas, agora ele mesmo simboliza mais a terceira e a segunda via juntas. E caso confirme o favoritismo está perto de governar e será a primeira via. Na atual “idade mídia”, os intervalos de tempo entre um e outro fato diminuem ainda mais do que na idade chamada de contemporânea que foi menor que na idade média e assim sucessivamente.

Quem tem a preferência do tom do debate é quem governa. Apesar da aliança nacional, PT e PMDB operam a política de forma diferente. O PT e a esquerda são mais dados ao debate no campo das ideias enquanto que o PMDB, outrora fértil quando era somente MDB, transformou-se num grande balcão de toma-lá-e-dá-cá. As exceções peemedebistas estão do Paraná com Roberto Requião, Pernambuco com Jarbas Vasconcelos, Amazonas com Eduardo Braga e Pedro Simon no Rio Grande do Sul que preferem o debate em vez do balcão.

Candidatura a deputado estadual

“Proponho o fim do analfabetismo em quatro anos com obrigatoriedade da implantação do programa Sim, Eu Posso”
Sou pré-candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão pelo PDT. Com as manifestações de junho deste ano, creio, abrem-se mais espaços para que uma liderança do interior do estado chegue com o chamado voto livre, o mesmo que elegeu com os votos da capital, a atual deputada Eliziane Gama, por exemplo.

Proponho o fim do analfabetismo em quatro anos com obrigatoriedade da implantação do programa “Sim, Eu Posso”, em todos os 217 municípios do estado.

Minha outra bandeira será a segurança pública. Defendo uma ampla reforma nas duas polícias, tanto a militar quando a civil. As duas continuariam existindo, mas seriam criadas outras polícias igualmente autônomas a exemplo da rodoviária, da florestal e da legal sob o comando da secretaria de justiça fundida com a segurança pública. Todas teriam como prioridade o combate ao narcotráfico e a corrupção. Por que somente a polícia federal bota político na cadeia?

Mensagem aos leitores

Agradecer a Robert Lobato pelo espaço contínuo sempre em seu Blog o que fez Direto da Aldeia Global ser conhecido em todo o Maranhão. Aproveitar para agradecer Isnande Barros, que também ajudou bastante no começo no nossa página quando ainda era Blogue do Frederico Luiz. Agradecer a todos os meus amigos da capital e do interior que reproduzem nossas postagens e a todos que se informam pelas redes sociais em vez daquela velha opinião formada sobre quase tudo da mídia tradicional.

Frederico Luiz, Isnande Barros
Frederico Luiz (E) e Isnande Barros, em 2011 no primeiro aniversário do Blog do Carloto Júnior
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