Livro: Repressão e Resistência em Imperatriz 2

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Neste dia 4 de novembro completou-se 47 anos da emboscada que culminou com a morte do fundador da Aliança Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella,  e o escritor Adalberto Franklin aproveitou para brindar o internauta com mais um trecho do seu livro, Repressão e Resistência em Imperatriz, ainda inédito, em coautoria com Valdizar Lima, que será lançado no Salão do Livro em 3 de dezembro deste ano.

Acima, imagens da TV Tupi da execução de Marighella, desarmado, numa alameda de São Paulo-SP. E também, o filme lançado em 2012.
Em três anos, de 1969 a 1971, as Forças Armadas conseguiram desmobilizar todas as bases dos movimentos armados  que tentavam se estabelecer em Imperatriz e região do Araguaia-Tocantins, onde se evidenciavam a ALN de Marighella e a VAR-Palmares de Lamarca, no final já transmudada em MR-8, e o o pequeno PRT de Alípio de Freitas e José Porfírio. A Operação Mesopotâmia pretendia ser a pá de cal no desmantelamento desses grupos.

Não tinham, porém, ainda, informações concretas do movimento guerrilheiro que o PCdoB organizava desde 1966...
(Adalberto Franklin, Facebook)

Carlos Marighella foi eleito deputado constituinte pelo PCB
Carlos Marighella foi eleito deputado constituinte pelo PCB-BA. Foto: Pinterest
Direto da Aldeia Global NET publicou:
Livro: Repressão e Resistência em Imperatriz 1

Sobre o episódio da morte do ex-deputado federal constituinte de 1946, Carlos Marighella, em 4 de novembro de 1969, Mário Magalhães publicou:
Hoje faz 44 anos que o guerrilheiro Carlos Marighella foi assassinado em uma emboscada, na noite de 4 de novembro de 1969, da qual participaram ao menos 29 agentes da ditadura. Na alameda Casa Branca, em São Paulo, eles mataram o revolucionário de 57 anos que estava sozinho e desarmado.

A versão oficial da morte de Marighella foi uma das farsas mais longevas fabricadas pelo aparato repressivo de então. Mesmo partidários do veterano militante comunista referendaram falsificações, como o relato de que ele portaria um revólver _não carregava nem um canivete.

Ex-membro da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles inovou: antes de investigar o fuzilamento de Marighella, veiculou um relatório sobre o episódio. Vergonhosamente, reiterou cascatas plantadas há mais de quatro décadas pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o comandante da tocaia.

As únicas imagens em movimento nas quais Marighella (1911-69) aparece são as acima, feitas pela TV Tupi. Nelas, o inimigo público número 1 da ditadura é mostrado morto. É possível que haja filmes de outras épocas, com ele vivo, mas não são conhecidos.

Nos nove anos em que me dediquei à biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo” (Companhia das Letras), dei três vezes com a voz do protagonista do livro, em áudios de 1946, 1967 e 1969.

As imagens da TV Tupi estão no site Banco de Conteúdos Culturais, um tesouro histórico. Na origem, elas foram classificadas como referentes à morte de Marighella “em combate com a polícia”. Mentira: ele estava desarmado e não contava com seguranças.

Outro filmete que sobreviveu é o da reportagem _difícil saber se foi ao ar_ do local onde Marighella foi enterrado, o cemitério da Vila Formosa (em 1979, seus restos foram transferidos para o cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador). A vinheta fala em enterro como indigente, mas na verdade ele recebeu uma sepultura de quarta classe. Na prática, inexistia diferença. O recado era o mesmo: quem ousasse, de que modo fosse, desafiar a ditadura acabaria em um lugar assim.

Quarenta e quatro anos depois, minha impressão é que, mais do que descrever Carlos Marighella como um bandido sanguinário e inescrupuloso, certa historiografia oficial tentou eliminá-lo da história.

Não conseguiu, como é fácil constatar, goste-se ou não de Marighella.
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