Sebastião Caracas: Brasil de Alguns

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Sebastião Caracas

Patativa do Assaré, poeta popular, preso porque cantou

É sempre maravilhoso para mim o despertar pela manhã. Ao abrir os olhos desta vez, por coincidência, às vésperas das eleições para a presidência da república, minha mente ainda estava seriamente ligada às ideias de liberdade.

Eu procurava respostas como poderia classificar a liberdade que se diz ter na nação brasileira; o estilo de democracia praticado; se funcionavam como um fato verdadeiro ou como fantasia.

Sebastião Caracas
Sebastião Caracas passeia sobre temas de interesse nacional
Pensava em tantas desigualdades existentes entre os barões da corte e os que vivem de migalhas para a sobrevivência, esperançosos de verem realizados os milagres de tantas promessas ouvidas.

Pensava na existência de tantas leis e burocracia para quem produz, para quem trabalha; em tantos ganhos fáceis para quem faz parte da máquina do império imaginário; em tantos descasos para melhorar a qualidade de vida da população, através de educação e de saúde eficientes e confiáveis

Não deixou de entrar na lista, o culto à personalidade, com tantos gastos em propaganda a sustentação dos que estão no poder.

Acredito nessa mentalização, depois de ouvir e ver na televisão, se digladiarem em debate, com agressões recíprocas, os candidatos ao cargo de presidente da república.

À minha mente vinha no mesmo instante a lembrança do famoso poeta popular, cantor da roça, conhecido como Patativa do Assaré, ao ser preso na época em que se implantou no Brasil, outro sistema de governo.

Ao ser conduzido a uma sala da prisão, olhou presa em uma gaiola, uma ave conhecida no nordeste, chamada Patativa.

De imediato, como gostava de falar em verso, exclamou:

Patativa descontente Nesta gaiola cativa, Embora bem diferente, Eu também sou Patativa.

Linda vizinha pequena, Temos o mesmo desgosto. Sofremos da mesma pena, Embora em sentido oposto.

Teu sofrer é o meu penar, Clama a vizinha lei: Tu presa para cantar, E eu preso porque cantei.

Sentimento de falta de liberdade

Completou um ano que me encontro em uma cadeira de rodas, mas mantenho a esperança de voltar a andar com as próprias pernas. Sinto-me um prisioneiro domiciliar, depois de uma cirurgia. Agora, vejo quanto custa o cerceamento do direito a liberdade, embora, no meu caso, fisicamente, por razões de saúde.

Sem contar com ajuda, não posso me deslocar, subir degraus, viajar, ir a lugares que eu gostava de apreciar, frequentar, e estar com meus amigos.

Em compensação, tenho tido mais tempo para meditar, pensar, pintar, tentar escrever crônicas, como um modo de passar o tempo, sem deixar de trabalhar, porque os cortes anuais na aposentadoria me obrigam a isso.

Juventude das ruas

Inicialmente, como cidadão que me considero, não deixo de pensar na legião de jovens perdidos pelas ruas, sem destino, sem perspectivas de vida, sem preparo e sem profissionalização.

Da forma como vivem, são autênticos candidatos ao tráfico de drogas ou à filiação a um grupo de assaltantes. Não existem programas sérios para salvá-los. Uma escolinha de futebol nos morros do Rio de janeiro, como tenho visto, não é solução. Representa uma gota d’água no oceano

O governo precisa pensar seriamente nesse problema que eu acho ter solução. Esses jovens poderão ser influenciados a ocuparem espaços no cenário existente ao verem tanta gente importante envolvidos em ganhos fáceis de corrupção e impunidade.

Essa juventude poderá ser a face do futuro da nação brasileira, agora influenciados pelos maus exemplos que assistem.

Outras necessidades do País

Como podemos classificar a liberdade que existe em nossa democracia se não há unidade nacional e tudo gira, com prioridade, em torno dos interesses políticos e dos seus partidos?

Como podemos classificar as políticas do país com relação à educação, instrução, profissionalização, saúde, saneamento básico, produção agrícola, industrial, serviços, incluindo o turismo?

Por que o país está incluído entre os que cobram os mais elevados impostos do mundo e exige tanta burocracia dos contribuintes, absorvendo cinco meses dos salários de quem trabalha, sem o retorno em forma de benefícios públicos?

Por que o Brasil subjugou-se à ditadura dos anarquistas, que estão livres nas ruas, assaltando, matando, obrigando os cidadãos, as famílias, a se protegerem, trancados nas residências, protegidos por grades de ferro?

Porque tanta facilidade em desvios de recursos públicos, tanta impunidade e corrupção quando há enorme burocracia de controle?

Porque tantos ministros são necessários para a administração federal, 39, quando a maior potência do mundo, os Estados Unidos, se dão bem com apenas a metade, 19?

Acho desnecessário continuar com tantas indagações, se temos as respostas que se nos parecem lógicas:

Se os impostos arrecadados fossem bem aplicados, quando sabemos serem suficientes para elevar o Brasil à categoria de país do primeiro mundo e cada brasileiro ter o orgulho de se considerar um cidadão, conhecendo seus direitos e deveres com a nação.

"Folha de São Paulo" sobre o Congresso Nacional

“O jornal “Folha de São Paulo” em uma de suas edições, em resultado de pesquisa, diz que o Brasil é o país que mais gasta com os seus parlamentares.

De acordo com o orçamento de 2007, a media do custo do de cada um dos 513 deputados federais e de 81 senadores é de 10 milhões por ano. Faça a conta e veja o resultado.

Nos legisladores europeus mais o Canadá, a média do custo por parlamentar é de cerca R$2,4 milhões por ano.

De acordo com o estudo, se o Congresso Nacional mantivesse um valor compatível com o europeu, o parlamento brasileiro poderia ter 2556 parlamentares.

Esses números permitem concluir que o legislativo brasileiro gasta muito e de maneira que não traz resultados positivos à população.

Isso é um luxo que o Brasil não pode se dar, pois nem os parlamentares do primeiro mundo gastam tanto com deputados e senadores.”

“Notícia mais recente obtida através da Internet, cada senador, são 81, custa mais de R$33,4 milhões por ano aos cofres públicos. Cada deputado federal, (513) tem o custo médio de R$ 6,6 milhões. Já imaginou se resolvessem reduzir esses custos pela metade, quanto sobraria para investimentos em favor da população brasileira?.”

Câmara dos Vereadores

“Obtive também a notícia de que Vereador remunerado é minoria no mundo”. Está na Internet.

“Em vez de legisladores pagos com dinheiro público, grande parte dos países tem Conselhos de Cidadãos, formados por representantes da comunidade, que não recebem salário pela atividade e sim das suas atividades profissionais. São escolhidos pela própria população.”

“No Brasil, os vereadores são assistentes sociais de luxo. Não há nada que eles façam que um conselheiro não possa fazer melhor. Antigamente, o exercício da vereança era meramente honorífico.”

Outras opiniões vistas na Internet comentam que muitos fazem da vereança uma profissão e ainda brigam para ganhar mais, com um exército de auxiliares, sem olhar para o povo.

“O cargo de vereador é, praticamente, uma exclusividade da legislação brasileira.”

Consta, que mais da metade dos impostos cobrados no Brasil e outras receitas, são destinados ao pagamento dos poderes executivos e legislativos.

Possivelmente um terço do que se arrecada poderia retornar para investimentos e atender as necessidades do país, dos estados e municípios.

Na verdade, existe uma máquina pesada para se manter de pé na área política do executivo e legislativo da nação brasileira.

Com um pouco de patriotismo desses poderes, reduzindo vantagens e despesas, sobrariam recursos para elevar o padrão de vida do povo brasileiro.

Nota do editor da Aldeia: Colaborador da Aldeia Global, Sebastião Caracas é empresário do setor hoteleiro, escritor e artista plástico.
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