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Zara explora crianças refugiadas

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Na semana passada, a emissora pública do Reino Unido, a conceituada BBC de Londres, exibiu uma reportagem sobre a exploração das crianças refugiadas da Síria por famosas marcas de roupas de grife em empresas terceirizadas da Turquia. A espanhola Zara, que já havia sido denunciada no Brasil por explorar imigrantes bolivianos em trabalho análogo à escravidão, apareceu novamente na lista sinistra. Na Europa, a matéria causou uma nova onda de revolta contra a Zara e outros companhias apreciadas pelas elites, como a Mango e a Asos. Já em nosso país, os consumidores nem ficaram sabendo das denúncias. As emissoras privadas de tevê preferem blindar os seus anunciantes em detrimento da informação.
Segundo o programa “Panorama”, os refugiados sírios – muitos deles menores de idade – cumprem jornadas de até 12 horas diárias e não têm as mínimas condições de segurança. Muitos manejam produtos químicos sem sequer receber as máscaras protetoras. É o caso dos operários que fabricam as calças jeans para a Zara. A BBC demonstra que as marcas da moda contratam as fornecedoras terceirizadas da Turquia, em particular de Istambul, devido ao menor custo do trabalho e da sua proximidade com os mercados da Europa. Em razão do sangrento conflito na região, provocado pelas potências capitalistas, mais de três milhões de refugiados sírios hoje tentam sobreviver na Turquia.

Temendo o desgaste com as cenas de exploração, principalmente das crianças, as marcas de grife imediatamente apresentaram suas desculpas esfarrapadas. A direção da Mango afirmou que desconhecia a terceirizada contratada em Istambul e que, após a denúncia, visitou a fábrica e constatou “boas condições, exceto em alguns aspectos de segurança pessoal". Já a multinacional Inditex, proprietária da Zara, jurou que realiza inspeções regulares e que sempre se preocupou em “controlar e melhorar as condições de trabalho”. Já a Asos alegou que não havia autorizado formalmente uma das fornecedoras e se comprometeu a financiar a escolarização das crianças encontradas no local.

Diante de tanta barbárie, o jornalista responsável pelo programa da BBC comentou: “Chegar a uma fábrica e encontrar crianças debruçadas em máquinas é muito chocante... São galpões inteiramente compostos por crianças, muitas delas não têm mais de sete ou oito anos. É a imagem da miséria”. No Brasil, se depender das emissoras privadas – nos dois sentidos da palavra – ninguém assistirá estas imagens chocantes da miséria!

Altamiro Borges
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