Farda, fardão, camisola de dormir

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Amestrado pela Folha, FHC fala em prisão de Lula – o picadeiro da mídia

Em nova entrevista hoje, dia 07 de setembro, FHC foi convocado para dar novo gás à caçada ao ex-presidente Lula. Repisou temas gastos, adentrou na calúnia e especulou sobre uma possível prisão, radiante e feliz com pinto no lixo. Vamos tentar entender por que ele desceu tão baixo.

Se o Brasil tivesse um pouquinho mais de memória, a julgar por sua ficha corrida de recentes serviços prestados na perseguição a Lula, FHC não ousaria um retorno tão precoce à tarefa suja que as elites impuserem a ele: o de lançar lama sobre a figura do ex-presidente. Pois é. Para quem esqueceu, quando Lula foi nomeado ministro da Casa Civil, quem imediatamente, antes mesmo de Gilmar Mendes, foi escalado para denegri-lo foi FHC.

Falando no dia 16 de março, para uma plateia de corretores de seguros, Fernando Henrique Cardoso protagonizou um show deprimente, no estilo Pânico na TV Político.

FHC em grande estilo, como imortal, tema de livro de Jorge Amado. Foto: Fernando Frazão
O sujeito chegou ao grotesco de reeditar críticas que se fazia a Lula no tempo da Ditadura, quando o país era imensamente mais tacanho do que hoje. Há mais de duas décadas que ninguém, nem os mais notáveis idiotas políticos, sentiam-se encorajados a verbalizar agressões abjetas como a de acusar o “analfabetismo” de Lula. Mas FHC não se sentiu constrangido, ao ser açoitado pelas elites, a esta baixíssima ignomínia:

"Tem que ter cabeça nova, não é só ser político, é preciso conhecimento. Conhecimento é fundamental. Você não pode dirigir esse país sendo analfabeto. Não dá", afirmou na manhã do dia 16 de março.

O servilismo de FHC aos interesses das oligarquias de destruir o símbolo Lula, e tudo o que ele significa para as lutas sociais no país, ultrapassou, como se vê, a fronteira do imaginável.

Interessante é observar que, nos mês que precedeu suas calúnias contra a nomeação de Lula, FHC esteve entocado, sua voz havia emudecido por completo. É que o rumoroso caso Miriam Dutra estava na imprensa. A velha parceira de antigas traquinagens vinha cobrar o leite das crianças, e trazer a fatura dos aluguéis.

A Globo deu ampla cobertura ao escândalo, ou melhor, ao retorno desse velho escândalo, que serve como uma coleira eletrônica a manter o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em rédea curta e com o gogó lubrificado para a cantilena anti-Lula e PT. Assim, quando apertado, ele canta muito afinado com certos interesses.

Hoje de novo FHC foi convocado para ajoelhar e rezar na entrevista que deu à Folha de São Paulo. Sua oração subordinada recebeu a seguinte diretriz: tocar na questão de uma possível prisão de Lula, repisar o tema, e satisfazer um certo desejo de retaliação após o fatiamento no julgamento de Dilma. E ele fez isso:

“Se for verdadeiro o que está dito aí, se for condenado, qualquer um de nós pode. Não é ele, qualquer um de nós. Você, eu podemos ser presos.”

Na entrevista, como quem não quer nada, o príncipe dos sociólogos pronunciou mais de uma vez, indo e vindo, a palavra “prisão”. E fez ilações sem fundamento, sobre um relatório da Polícia Federal que já foi declarado uma obra de ficção científica (até os peritos se sentiram lesados), como essa:

“É difícil colar [a repetida afirmação de Lula de que não é dono do tríplex nem do sítio]”, diz FHC. “É difícil porque houve uso reiterado dos bens. É claro que a Justiça vai ter que provar. Às vezes não é fácil provar.”

Ou seja, não há fato contra Lula (“as vezes não é fácil provar”) mas a explicação que ele dá, dizendo justamente que não há nenhum fato contra ele, é “difícil de colar”. Não é fácil provar mas é difícil colar. Parece o discurso desconjuntado de um autômato usado pela mídia sempre que precisa avivar o fogo da perseguição a Lula.

Enfim, FHC foi ressuscitado para prestar um serviço muito claro, num momento em que ele era demandado. E o fez sem pestanejar.

Para a Folha, trata-se de tirar o foco da vergonhosa defesa que andou fazendo da violência policial, agora nos primeiros dias de setembro, e contra a qual elevou-se uma forte reação de diversos segmentos comprometidos com a democracia. O próprio juiz responsável, libertou 19 jovens e apontou a atuação arbitrária da PM:

"O Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação de praticar verdadeira 'prisão para averiguação' sob o pretexto de que estudantes poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Este tempo, felizmente, já passou".

Que tempo é esse que passou? O tempo da Ditadura Militar. A Folha, que tinha pedido ainda mais firmeza da PM, mesmo depois que uma jovem perdeu um dos olhos, tinha agora que buscar uma cobertura. FHC veio para isso. Mas, poderia não vir se quisesse? Seria difícil.

O caso Miriam é um porrete sempre pendente que faz milagres. Além disso, temos o caso que explodiu em junho, quando na delação premiada de Nestor Cerveró foi revelado um negócio que, como informou o jornal O Globo,
“rendeu US$ 100 milhões em propina para integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Usando o câmbio de sexta-feira passada, mas sem correção monetária, a cifra chega a R$ 354 milhões.”

Enfim, com tantos esqueletos acumulados no armário, sendo instado a proteger a sua própria e preciosa pele, FHC se vê obrigado a emprestar o gogó a preço vil. Virou um ambulante de fala fácil que, não demora, estará totalmente desvalorizado no mercado da difamação.

Barjonas Teixeira, O Cafezinho

Nota do editor da Aldeia: O título, uma referência ao livro de Jorge Amado e a legenda da foto são da Aldeia.
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