Separatistas avançam nas pesquisas na Escócia

Publicidade
Bandeiras Reino Unido e Escócia
As bandeiras da Escócia e do Reino Unido poderão, em breve, se separar
RFI

Paris, França. Pela primeira vez, os partidários da independência da Escócia aparecem como vencedores do referendo marcado para o dia 18 de setembro, segundo uma pesquisa publicada neste sábado (6) pelo jornal Sunday Times. Os defensores do "sim" somam 51% das intenções de voto, contra 49% dos partidários do "não", que querem a permanência da Escócia no Reino Unido.

Os independentistas registram um avanço espetacular. Há um mês, eles estavam 22 pontos percentuais atrás dos opositores nas sondagens. O referendo poderá ditar o fim da união de 307 anos entre a Escócia e a Inglaterra.

A pesquisa do instituto YouGov provocou um choque no governo. Para tentar convencer os escoceses a ficar no Reino Unido, o governo britânico declarou neste domingo que vai anunciar, nos próximos dias, medidas para dar mais autonomia à nação.

As três maiores forças políticas da Grã-Bretanha - conservadores, trabalhistas e liberais-democratas - têm defendido a manutenção da Escócia no Reino Unido com um slogan considerado defensivo e sem grande apelo popular: "Juntos, é melhor".

Os independentistas, por outro lado, enfatizam as vantagens econômicas, sobretudo fiscais, que poderiam conquistar ao se separar da Inglaterra. Eles não querem mais, por exemplo, ficar submetidos ao imposto de renda imposto pelo governo britânico.

Especialistas acreditam que a independência da Escócia é um projeto viável e até mesmo inevitável. A região é rica em petróleo, além de dispor de outros recursos próprios. Tem dívidas, mas não a ponto de afundar. O maior temor é o simbolismo político de uma vitória do "sim".

Vendaval político

Políticos britânicos comparam a eventual vitória dos independentistas à perda das colônias americanas em 1792. Seria uma derrota fracassante para o atual governo conservador. A oposição trabalhista também perderia um grande reduto eleitoral, já que a Escócia vota tradicionalmente no Labour. Para dar uma ideia da guinada, há um mês apenas 18% dos eleitores do Partido Trabalhista diziam ter a intenção de votar no "sim". Hoje, eles são 35%. De uma única vez, os trabalhistas perderiam 40 deputados no parlamento britânico e se veriam em grandes dificuldades para formar, no futuro, um governo majoritário.

Artistas divididos

A campanha também divide artistas e intelectuais. No campo do "sim", o eterno James Bond Sean Connery, nascido na Escócia, considera o referendo "uma oportunidade única e boa demais para ser perdida". Outro defensor do "sim" é o escritor escocês Irvine Welsh, que, entre muitos livros, escreveu o famoso "Trainspotting". "Sou totalmente a favor da independência", afirmou recentemente. O cineasta Ken Loach, apesar de ser inglês, também é pela independência.

No campo do "não", a lista é longa, reunindo entre outros o ex-Beatle Paul McCartney, o cantor Rod Stewart, de origem escocesa, e o tenista Andy Murray. O apoio mais efusivo contra a partição veio da autora e criadora da saga Harry Potter, JK Rowling. Ela doou um milhão de libras, cerca de 3,5 milhões de reais, para ajudar a financiar a campanha contra a independência da Escócia.
Publicidade