A mídia obrou o fascista e está inquieta

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Na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais, a mídia monopolista parece sofrer de certa esquizofrenia. Ela não sabe como se portar diante do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, “O Coiso”, que segue à frente nas sondagens eleitorais. A mídia chocou o ovo da serpente que resultou o avanço do fascismo, com sua milícia de fanáticos e oportunistas. Agora, porém, ela teme ser vítima dessa horda de trogloditas, que prega o ódio e a violência contra tudo e contra todos.

A ascensão de Jair Bolsonaro não deriva da sua capacidade intelectual – que é bem limitada, quase uma nulidade. Ela também não decorre das suas propostas para o Brasil, que inexistem. Seu programa de governo é um amontoado de besteiras, de puro senso comum, de platitudes. No campo econômico, o fascistoide é um fiel seguidor do odiado Michel Temer. Como deputado, ele votou a favor da "deforma" trabalhista, da PEC da Morte, da terceirização selvagem. Como candidato, ele propõe radicalizar ainda mais este receituário neoliberal. Já no campo da democracia, ele é um reacionário extremado, quase um doente.

Bolsonaro só despontou nas pesquisas graças à manipulação midiática, ao jornalismo de guerra promovido nos últimos anos contra o PT e as forças de esquerda. Ele foi chocado, obrado, pela mídia golpista, com a sua criminalização da política e a sua escandalização da violência. Ele é fruto do ceticismo na política – coisa típica dos nazistas e fascistas, que sempre negaram a democracia – e do clima de insegurança e medo existente no país. Sem os péssimos serviços prestados à sociedade pela mídia monopolista, Bolsonaro não existiria. Ou seria motivo de estudos psiquiátricos.

Essa aberração, porém, agora desperta temores nos próprios barões da mídia e em vários jornalistas – inclusive naqueles que insistem em chamar o patrão de companheiro. Eles criaram um monstro que pode sair do controle. O passado serve de alerta. Em 1964, a chamada grande imprensa apoiou o golpe militar e depois parte dela foi alvo de censura e de perseguição dos generais. O presente também atemoriza. É só ver o tratamento dispensado à imprensa pelo maníaco Donald Trump, o herói do vira-lata Bolsonaro. Mas não é preciso voltar ao passado ou ir para os EUA.

É só ver a atitude dos seguidores fanáticos de Jair Bolsonaro, que agridem jornalistas – como neste domingo (30) na Avenida Paulista – e usam as redes sociais para espalhar fakes e ameaçar repórteres e celebridades midiáticas. Antes da facada em Juiz de Fora, o próprio candidato da extrema-direita já exibia uma agressividade acentuada contra os profissionais do setor e até contra as empresas de comunicação. Após a sabatina na TV Globo, ele chegou a insinuar, com gestos e com a sua costumeira grosseria, que o William Bonner "é corno". Ele também ameaçou cortar a publicidade da emissora, o que dá urticária na famiglia Marinho.

Diante desses riscos, setores da mídia monopolista exibem certa preocupação com o resultado das urnas. A mídia fez de tudo para estimular o chamado “centro político” – na verdade, a direita mais civilizada. Ela tentou alguns outsiders, que fugiram da raia temendo possíveis revelações e denúncias. Ela também apostou em Geraldo Alckmin, mas o picolé de chuchu derreteu. Na reta final, alguns “calunistas” globais ainda rezaram pela unidade do “centro”, mas não deu certo. Jair Bolsonaro já está no segundo turno. A mídia venal vai apoiar o fascismo, o obscurantismo, para derrotar a esquerda? A conferir nos próximos dias.

Altamiro Borges
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