Século 21: EUA ainda encarceram crianças

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Um mês antes de Donald Trump promulgar uma política que permite a seu governo tirar milhares de crianças migrantes de seus pais, o presidente disse duas vezes a multidões, em seus comícios, que membros de gangues de imigrantes não eram pessoas. “Eles são animais”, afirmou em maio. No último fim de semana, surgiram vídeos e fotos dos centros de detenção, semelhantes a gaiolas, onde crianças, separadas de seus pais, estão abrigadas.

O comentário de Trump foi dirigido a membros violentos da gangue MS-13 [uma gangue formada sobretudo por migrantes de origem salvadorenha Mara Salvatrucha’, uma combinação das palavras Mara (“gangue”), Salva (“Salvador”) e trucha (“malandros da rua”)]. Trump rejeitou a idéia de que estivesse falando sobre todos os imigrantes. Hoje, no entanto, na medida em que surgem críticas sobre um conjunto draconiano de políticas de imigração,ativistas e advogados especulam sobre até que ponto o presidente dos EUA e sua equipe estão dispostos a ir para impedir a entrada de imigrantes no país.

O exemplo mais extremo desta política é a prática da separação familiar, com mais de 1.600 crianças tiradas dos pais. Ativistas dizem que a prática ocorreu discretamente por meses, antes de o governo adotá-la como política em abril. “Isso vai totalmente contra o espírito com que este país foi fundado”, disse Janet Gwilym, uma advogada que representa crianças no estado de Washington. “Temos a responsabilidade moral de aceitá-los. É lei internacional aceitar refugiados; é o que são essas pessoas e, em vez disso, estamos apenas aumentando o trauma pelo qual elas estão passando.”

Gwilym, diretora da filial de Seattle da Kids in Need of Defense – Kind [Crianças que Precisam de Defesa], um grupo de defesa de crianças imigrantes desacompanhadas dos pais, disse que crianças de 12 a 17 anos que estão no centros de detenção consolam crianças que, como elas, acabam de ser tiradas de seus pais.

Ela afirmou ainda que as crianças denunciam que as autoridades de imigração lhes dizem que elas vão ver seus pais novamente em poucos minutos, mas que ela ficam sem vê-los por meses.

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Mesmo diante da generalizada condenação bipartidária [democrata e republicana] e das advertências de organizações médicas sobre as consequências de longo prazo que essas separações têm sobre as crianças, Trump e seu gabinete permaneceram firmes. “Os Estados Unidos não serão um campo de migrantes e não terão instalações com benefícios para refugiados. Não seremos”, disse Trump em um encontro com a imprensa na Casa Branca nesta segunda-feira (18).

Essa defesa estridente de Trump acontece na medida em que se aproximam as eleições de novembro e dois anos depois da tentativa fracassada do presidente norte-americano de cumprir sua promessa de campanha de expandir o muro fronteiriço entre o México e os Estados Unidos.

O Congresso não concedeu verbas a Trump para edificar novos trechos da muralha na fronteira, mas nesse ínterim, seu governo criou um muro invisível de políticas que os ativistas e advogados dizem que devem conter todos os tipos de imigração. A separação das crianças de seus pais é apenas a mais dramática de muitas medidas tomadas pela Casa Branca para combater a imigração ilegal nos Estados Unidos.

As pessoas afetadas por essas medidas incluem refugiados e adultos e crianças sem o green card, que também foram alvo de uma série de ações, como o cancelamento de um programa de refugiados para crianças que viajam de países perigosos do norte da América Central até os EUA.

Amanda Holpuch, Outras Palavras
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