E agora José? Antes ele do que...

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A oposição ao governador do Maranhão, Flávio Dino, está mesmo atrapalhada. Vive de factoide em factoide. Na semana passada foram dois, em relação à saúde e à segurança pública. Sonham com um golpe judiciário como aconteceu em abril de 2009 com Jackson Lago ou em 2016 com Dilma Rousseff. E agora José?

Desde 1º de janeiro de 2017, a cada dia, a cada escola inaugurada, a cada quilômetro de asfalto, a cada hospital regional, a cada concurso público, os oposicionistas sentem-se mais longe do Palácio dos Leões.

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E Flávio Dino irrita mais ainda os saudosistas do ancien régime ao contar com apoios mais a direita, como são os casos do DEM, PP, PRB, entre outros. E a extrema-esquerda Timbira nem de longe faz o jogo da mídia sarneista. E agora José?

A festa acabou. O povo sumiu. E Carlos Drummond de Andrade permanece atual com os versos de José. De encomenda para Sarney.

Para ler, ouvir, cantar e compartilhar a desgraça alheia! Antes ele do que a maioria do povo…

Frederico Luiz, Direto da Aldeia

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?



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