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Indulto de Natal ou insulto fatal de Temer

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O indulto de Temer aos traficantes de órgãos e pessoas

O indulto de Natal de Michel Temer é uma previsão constitucional. Não cabe questionamentos de outros poderes. Nos Estados Unidos, o presidente da República pode até indultar criminosos confessos desde que seja de “interesse nacional”. E quem define o “interesse nacional” é o presidente eleito pelos votos dos cidadãos. Se o “interesse nacional” for suspeito, ele será condenado pelo desgaste junto à opinião pública, refletindo-se nas eleições seguintes.

E no Brasil, onde o presidente da República é reconhecidamente chefe de uma organização criminosa, que se jacta de seus baixos níveis de popularidade? Um país em que as figuras políticas maiores são Marun, Padilha, Moreira Franco, Cunha?

O Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria Geral da República (PGR) estão sentindo nos atos a diferença entre presidentes eleitos e piratas que tomam de assalto o navio.

Os eleitos, seja FHC, Lula, Dilma, JK ou Jânio, pensariam duas vezes antes de qualquer abuso, porque muito mais suscetíveis aos movimentos da opinião pública.

Procuradores identificaram erros clamorosos no indulto. Deixaram de fora assédio sexual, cuja pena é de um a dois anos e incluíram tráfico de órgãos e pessoas, com pena muito maior.

Ora, se Temer colocou o jabuti na árvore, é evidente que tem motivos para tal.

O grande desafio, então, é o quebra-cabeças: quem são os traficantes de órgãos e de pessoas, já condenados, beneficiados pelo indulto de Temer?

O perfil é bastante coerente com parte da base de apoio a Temer.

Luis Nassif

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