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Ralf pisa na bola, sucesso tirou humildade*

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Deu no Imirante

As declarações do volante Ralf ao GLOBOESPORTE.com caíram como uma verdadeira bomba em Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão e distante 630km de São Luís. O ex-volante campeão maranhense pelo Imperatriz em 2005 e que hoje vive grande momento no Corinthians disse ter passado fome e que ficou sem receber os salários quando jogou pelo time maranhense. A notícia teve repercussão negativa em meio aos antigos dirigentes, integrantes da Comissão Técnica e até jogadores da gloriosa campanha do Cavalo de Aço. Foi no Imperatriz que o volante Ralf conquistou o principal título da carreira profissional, o de campeão maranhense.


O então presidente Nilson Takashi afirmou que Ralf foi indicado ao Imperatriz pelo técnico Pedrinho Rocha após o desastre no 1º turno. O Imperatriz sequer chegou a se classificar para o quadrangular final.

- O Pedrinho Rocha me disse que tinha um bom jogador no interior de São Paulo, mas que estava parado pelo menos quatro meses. Como era jovem, a recuperação seria mais rápida. Autorizei a contratação e mandei R$ 4 mil para a família dele que estaria passando dificuldade. Eu posso disser a você que ninguém nunca passou fome no período em que fui presidente. Encontramos dificuldade sim e vencemos todas. Tudo que foi prometido a eles eu paguei. Agora, fiquei muito decepcionado com essas declarações dele. Eu acho que foi uma injustiça com uma cidade que torce todo dia para ele. Isso me deixa triste como pessoa e como imperatrizense - explicou Nilson Takashi.

O ex-presidente do Imperatriz disse que no fim do ano passado, após a contratação do Ralf pelo Corinthians, ligou para parabenizar o jogador.

- Eu falei com ele no fim do ano passado, ele estava muito feliz por ter sido contratado pelo Corinthians. Ele me agradeceu muito a oportunidade dada pelo Imperatriz e disse que guardava bons momentos da sua passagem aqui. Não entendo o que passou pela cabeça dele agora para falar isso. Ele perdeu a oportunidade de ficar calado - afirmou.

O técnico Pedrinho Rocha foi quem indicou o volante Ralf ao Imperatriz. Ele contou que as dificuldades enfrentadas no Imperatriz, em 2005, foram normais e muito comuns até hoje em muitos clubes no futebol brasileiro.

- A dificuldade é que nós éramos um time humilde, mas que agia de forma correta com todos nós. Se passaram fome eu nunca soube disso. Os salários atrasavam um pouquinho o que é normal. Grandes times do futebol brasileiro também atrasam o pagamento de salários, mas o presidente Nilson Takashi que é uma pessoa séria honrou os compromissos com todos nós. O Imperatriz nunca foi uma equipe que ficou sem cumprir os seus compromissos - diz Pedrinho Rocha.

O volante Cristiano - um dos heróis da conquista inédita de campeão maranhense pelo Imperatriz - rebateu o ex-companheiro Ralf e garantiu que nunca passou fome no Imperatriz.

- Todo clube passa por dificuldade, principalmente no futebol no norte e nordeste. O Imperatriz encontrou dificuldade porque o presidente Nilson era sozinho, depois alguns empresários começaram a ajudar o clube, e tudo mudou. No início, nós tivemos sim um pouco de dificuldade, mas isto é normal. Eu posso te garantir que nunca passamos fome. A alimentação, às vezes, demorava chegar, mas nunca faltou não. Quanto a salário tudo foi pago. Eu quero dizer a você que o Imperatriz não me deve um centavo - disse.

O goleiro e capitão Rodrigo Ramos foi outro a garantir que nunca passou fome enquanto esteve no Imperatriz. Ele lembrou que o time começou mal a temporada de 2005, mas acabou conquistando o título inédito.

- Quando ele (Ralf) chegou ao clube, nós estávamos em crise. O time foi muito mal no primeiro turno e depois foi reformulado para o 2º com a chegada do Émerson Mendes (gerente de Futebol), do técnico Pedrinho Rocha, o Ralf e do Edu Xiquita. Começamos a reagir e aí as coisas mudaram, muitos empresários de Imperatriz passaram a ajudar o presidente Nilson Takashi. Bem, mas eu não posso te dizer se ele passou fome ou não. O que eu posso dizer é que eu nunca passei fome no Imperatriz, o salário até chegou a atrasar, mas tudo muito normal. O Nilson (presidente) foi um cara que sempre jogou aberto com todos nós e isso fez com que as coisas acontecessem, e o Imperatriz chegasse à conquista do título - lembrou o goleiro e capitão Rodrigo Ramos.

* O título é do Blogue.

Nota do blogueiro: Almocei hoje com Carloto Júnior e ele me confirmou que no ano seguinte à conquista, na presidência de Leo Cunha, o volante Ralf também foi muito bem tratado pela diretoria, excelente casa para moradia e alimentação farta, assim como os demais atletas, a exemplo de Aelson, Ricardo Feltre, Dênis e outros heróis da conquista do ano anterior.
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