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Flávio faz campanha no Maranhão Central

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A campanha do pré-candidato do PCdoB ao governo do Maranhão, Flávio Dino, está mesmo crescendo. Acreditem se quiser, mas já tem até disputa interna com dois palanques numa mesma cidade. É o caso de Santa Luzia do Tide (295 km de Imperatriz). Além do apoio da esquerda com os tradicionais aliados (PT e PSB), Flávio vai com o vereador Arielzinho do PPS num segundo palanque.

Agora de manhã, a onda vermelha foi até Santa Inês (366 km de Imperatriz) na região Maranhão Central e à tarde segue para São Mateus (156 km de Santa Inês) na região polarizada por Bacabal.

Amanhã, Flávio Dino recebe em São Luís a medalha Simão Estácio da Silveira, a maior comenda concedida pela Câmara Municipal da capital do Estado.

Depois da premiação na Ilha, a maré fica baixa. A onda vermelha recomeça na quinta-feira com mais atividades de pré-campanha.

Simão Estácio da Silveira
A imigração açoriana para o Maranhão e o Grão-Pará se efetivou mediante três correntes, tendo lugar as duas primeiras ainda durante o século XVII e a terceira no século XVIII. Para vários historiadores (Lisboa, 1858; Lisboa, 1866; Abreu, 1954; Marques, 1970 e Viveiros, 1992), a primeira corrente imigratória se deu entre os anos de 1619 e 1632, sendo as fontes primárias desta informação os livros "Anais históricos do Estado do Maranhão", publicado pela primeira vez em Lisboa, em 1749, por Bernardo Pereira de Berredo, governador do Maranhão de 1718 a 1722 (Berredo, 1988) e "Relação sumária das cousas do Maranhão", também publicado em Lisboa na sua primeira edição, em 1624, este de autoria de Simão Estácio da Silveira, justamente o comandante da nau capitânia da primeira expedição (Silveira, 1976).

Berredo (1988) informa que foi no governo do terceiro capitão-mor da Conquista do Maranhão, Diogo da Costa Machado, que teria chegado a primeira leva de colonos (200 casais) vinda do Arqui-pélago dos Açores. Referidos colonos foram trazidos pelo empresário Jorge de Lemos Bettencourt, a quem, por tal serviço, o rei de Portugal fez a promessa de pagamento de Rs. 400$000 (quatrocentos mil réis), tendo o comando da principal nau dessa expedição ficado a cargo de Simão Estácio da Silveira, que era também cronista e professor de agricultura. Sua chegada a São Luís do Maranhão se deu em 11 de abril de 1619 (Damasceno, 1976).

Nesse sentido, de imensurável valor histórico é o teor do relato escrito pelo próprio Simão Estácio da Silveira, no qual consta ainda no prólogo: "Quando fui a esta Conquista no ano de 1618, se abalaram muitas pessoas das Ilhas a meu exemplo, parecendo-lhes que pois eu sem obrigações, ir buscar remédio deixava o regalo de Lisboa, e me ia ao Maranhão não seria sem algum fundamento. Na nau de que fui por Capitão se embarcaram perto de trezentas pessoas, algumas com muitas filhas donzelas, que logo em chegando casaram todas, e tiveram vida, que cá lhes estava mui impossibilitada, e se lhes deram duas léguas de terra..."

Mais adiante, quando se reporta à "relação das cousas" encontradas no Maranhão, Simão assim se expressa: "Até agora, não há no Maranhão muitas criações de gado, todavia, essas vacas, que ali foram ter (as primeiras por ordem do Governador geral do Brasil Gaspar de Sousa) têm multiplicado grandemente e dado mostras de valente produção, porque as crias vão sempre sendo maiores que as mães... Não chegaram lá ainda cavalos, nem ovelhas: os porcos multiplicaram tanto, que já há muitos lavradores, que têm cem cabeças, e são muito grandes e de boníssima carne, qual é toda a deste gênero no Brasil... Há muito algodão, muito tabaco excelente, canafístulas bravas, salsaparrilha, a erva de que se faz o anil em Índias... Há muito e bom arroz, muito milho zaburro, e outro branco, muitos feijões, e favas de diversas castas, amendoins muito gostosos para regalo, muitas batatas de cores por dentro, e por fora, amarelas, roxas, laranjadas, brancas, e vermelhas, e todas melhores que as das Ilhas Terceiras..."

Essa publicação tinha por objetivo atrair imigrantes e foi "Dirigida aos pobres do Reino de Portugal", sendo considerada a primeira propaganda escrita em língua portuguesa a favor do Maranhão, como se pode deduzir pelo enunciado ao final do seu texto: "Eu me resolvo que esta é a melhor terra do mundo, onde os naturais são muito fortes e vivem muitos anos, e consta-nos que, das que correram os portugueses, a melhor é o Brasil e o Maranhão é Brasil melhor, e mais perto de Portugal que todos os outros portos daquele estado, em derrota muito fácil à navegação donde se há de ir em vinte dias ordinariamente ".

A notícia referente à primeira emigração açoriana para o Brasil também foi mencionada por Dante de Laytano no seu excelente livro "Arquipélago dos Açores", uma das mais completas obras sobre o Arquipélago já escritas no País (Laytano,1987). Tal informação, aliás, guarda estreita coerência com um documento publicado na Ilha Terceira dando conta de que a mais antiga alusão à vinda de colonos açorianos para o Brasil data do ano de 1617 (Relações...,1946), pois, naquela época, era bastante comum os preparativos para as longas viagens ao ultramar durarem até dois anos.

Ainda a respeito de Simão Estácio da Silveira, curiosidade também digna de menção é que ele viria a ser um dos fundadores e o primeiro presidente do Senado da Câmara de São Luís, no mesmo ano de 1619 (Damasceno, 1976 e Viveiros, 1992). Pelos relevantes serviços prestados a Portugal, a Coroa lusitana lhe recompensaria, entregando-lhe a donataria da Ilha das Pacas. De acordo com Jerônimo José de Viveiros, "a chegada daquele piloto à frente de cerca de 400 pessoas transformou a vida de São Luís, que deixou de ser um simples quartel de tropa, defensor do domínio de uma nação, para tornar-se uma povoação de colonos, cuja vida civil e econômica precisava ser organizada" (Viveiros, 1992).

Com informações do IHIT.
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