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João Evangelista nas asas da história

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Por JM Cunha Santos


Há homens cuja predestinação é ficar para a história. Alguns, tangidos pelo supremo de seus sucessos, ocupam para sempre a história oficial, essa contada nas solenidades, pelos títulos alcançados, pelas vitórias e derrotas que a vida pública impõe; outros, porque emocionalmente atados a uma existência sem maiores glórias, ocupam apenas a história contada pelos corações de seus amigos e de todos aqueles que os amam.

O deputado João Evangelista, cuja promissora carreira política foi interrompida por uma dessas fatalidades que a condição humana não consegue explicar, ocupou, incontestavelmente, a história oficial de seu Estado e de seu país. Mas ocupou, também, e principalmente, a história contada nos corações de seus familiares e amigos que desde ontem, inconsoláveis, choram sua prematura despedida.

Foi o que restou demonstrado em lágrimas e tristeza de milhares de incontáveis visitantes que lotaram a Assembleia Legislativa do Maranhão. Cada um deles a repetir sua determinação na defesa intransigente dos postulados da democracia e da Justiça; todos a recordar sua disposição de atender os interesses da coletividade, dos menos favorecidos, de encampar lutas que não eram suas em nome de comunidades e pessoas que aprendeu a amar. Suas vitórias foram sempre as vitórias de um povo que representava sem tergiversações nem remendos, com a vontade incansável que é própria apenas aos predestinados ao amor ao próximo.

Qualquer histórico de sua vida jamais revelará o ser humano completo por trás do homem público. Mas é preciso registrar, para que se preservem lutas e conquistas na memória dos homens, que João Evangelista nasceu no dia 3 de junho de 1957, no humilde município maranhense de São João Batista. Foi eleito vereador por São Luís, em 1988, e reeleito em 1992. Presidiu a Câmara de Vereadores e se elegeu deputado estadual pela primeira vez em 1994. Elegeu-se presidente da Assembléia Legislativa para os biênios 2005/2006 e 2007/2008, sendo considerado por grande maioria da classe política o presidente que mais colocou em destaque o Poder Legislativo do Maranhão.

Em meio a uma multidão consternada e incrédula com aquele momento, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Tavares, resumiu a personalidade política do deputado João Evangelista: “um dos maiores homens públicos da história recente do Maranhão. Corajoso, correto, leal, determinado e com qualidades para exercer qualquer cargo nesse Estado”.

O ex-governador Jackson Lago disse ser Evangelista um homem comprometido com as comunidades empobrecidas do Estado, especialmente as de sua região, a Baixada Maranhense. Segundo Lago, João Evangelista desempenhou um papel importantíssimo na luta pela alternância de poder no Estado e no combate aos que se sentem donos do Maranhão. “Seu exemplo como parlamentar ficará na história do Poder Legislativo”, afirmou.

O presidente do Partido Socialista Brasileiro, advogado José Antônio Almeida, lembrou que as pessoas se notabilizam não só pelo que dizem, mas também pelo que fazem. “O exemplo quase sempre é mais forte que a mensagem, e João Evangelista era dedicado, ativo. Tanto que com sua presença elevou a dignidade de dois parlamentos, e não fora a grave doença que o acometeu seria hoje um dos nomes mais cotados para cargos majoritários na renovação da política maranhense, que é algo que certamente vai acontecer”,

O deputado Julião Amin o considera um dos maiores políticos de sua geração, lembrando que chegou, inclusive, a assumir o governo do Estado e teve um papel preponderante nas articulações políticas pelas mudanças que precisam ser operadas nesse Estado. “Homem de personalidade e determinação enriqueceu todos os episódios de natureza político-administrativa que exigiram sua presença” lembrou.

Ontem, na Assembleia, a voz entrecortada de lágrimas do deputado João Evangelista, transmitida através de um filme de sua primeira posse na presidência da Assembleia, repetia o mais relevante refrão poético dos vencedores, traduzido pela genialidade de Gonçalves Dias: “a vida é combate que aos fracos abate, que aos fortes e bravos só pode exaltar”. Seus entes queridos, mãe, esposa, filhos, desmaiavam de saudades e emoção. Mas era como se uma outra voz, a do apóstolo São Paulo, para consolo de todos aqueles que choravam, também se fizesse ouvir: “a morte é apenas a passagem para a vida definitiva”. Nas asas da história e em nossos corações, João Evangelista vive. Definitivamente.
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