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Os dois turnos da eleição deste ano

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"Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quisermos, dizia-nos, há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la."
Tancredo Neves, presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985
 
"Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quisermos, dizia-nos, há quase trezentos anos, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (fazedor de balaios, donde surgiu o nome balaiada); Cosme Bento das Chagas (chefe de um quilombo que reunia aproximadamente três mil negros fugitivos) e Raimundo Gomes (vaqueiro), aqueles heróis enlouquecidos de esperança, podemos fazer do Brasil e do Maranhão, uma grande nação e um grande. Vamos fazê-los."
O blogueiro tentando parafrasear Tancredo Neves, morto em 21 de abril, há 25 anos

Hoje, 21 de abril, completa-se 25 anos da morte de Tancredo de Almeida Neves. Quis o destino que este mineiro de São João Del Rei cunhasse a frase mais conhecida nos momentos de incertezas: "Não Vamos nos Dispersar". Dita quando venceu Paulo Maluf no colégio eleitoral, quando decretou o fim da ditadura militar no Brasil.

Da mesma forma, a oposição maranhense à mais longa ditadura civil instalada no planeta deve permanecer coesa. Foi assim em 2006 quando o povo conseguiu vencer. Vamos disputar uma eleição em dois turnos, uma invenção francesa. Por lá, mesmo deputados e senadores são eleitos em dois turnos. A filosofia, a idéia, o demiurgo, a essência é simples: no primeiro turno o povo escolhe. No segundo turno, o povo rejeita.

Por isso jamais defendi eleição plebiscitária no Maranhão. Porque não se trata de um plebiscito. Porém, de uma eleição em dois turnos. Simples assim...

Nossos adversários, historicamente, possuem o mais alto grau de rejeição em relação às forças de oposição. Ou seja, basta levar para o segundo turno e a eleição está definida a favor da oposição. Do outro lado, o governista, o segundo turno é satanizado pois sabem de suas poucas chances.

No atual quadro político, com as candidaturas de Roseana Sarney, Jackson Lago e Flávio Dino, as chances de segundo turno são mais do que reais. E isto implica em Jackson forte com o apoio decisivo do PSDB e Flávio com a sustentação do PT. Esta é a melhor solução para a vitória. Mesmo a unidade em torno de Jackson e Flávio neste momento seria prejudicial para a oposição porque a eleição seria definida no primeiro turno, ou seja, no round onde os governistas possuem vantagem explícita.

Por isso não vamos nos dispersar. Vamos lutar com todas as forças para que PSDB-PDT e demais aliados caminhem juntos e PT-PCdoB e coligados estejam fortalecidos para o segundo turno. E quem passar no primeiro turno, passará ao segundo com o devido apoio do terceiro colocado.

E isso é possível, como em 2006. Não se trata de repetir a história pois ela não se repete, senão como farsa. Trata-se, no entanto, de entender o funcionamento do processo eleitoral, em dois turnos, o mesmo de há quatro anos. O mesmo da França desde o século XVIII.
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