-->

O Tucano e a Rosa

Publicidade
por Roberto Rocha à coluna do JP


Não passou em branco, nesta semana, a data em que evocamos a indigna deposição do governador Jackson Lago, por via de um golpe de Estado judiciário. Daqui mesmo, deste espaço jornalístico, manifestei meu inconformismo por ocasião da data da cassação, enfatizando que o mandato popular outorgado ao governador transcende a todos nós, inclusive ao próprio outorgado, e que a violência do ato atinge o coração da democracia e afronta as instituições que constituem a base das sociedades civilizadas.
Compromissos partidários me retiveram em Brasília mas acompanhei e me solidarizei com o ato, na verdade mais que uma cerimônia, uma purgação ritual para renovar as forças que nos uniram e nos alimentam.
Fico especialmente feliz quando ouço repetido, quase como um mantra, a invocação da natural confluência maranhense entre o tucano e a rosa, ou seja, nosso PSDB com o PDT. Sei, porque trago as marcas no corpo, o que nos custou afirmar nossa identidade partidária afrontando conveniências nacionais e o proverbial canto fisiológico das oligarquias perante o poder central que na ocasião nosso partido exercia. Sei o que me custou o gesto de coragem e desprendimento, muitas vezes incompreendido, de renunciar à minha candidatura em favor do projeto de eleger o Dr. Jackson Lago, em 2002. São cicatrizes de guerra.
Nos orgulha dizer que, ao contrário do que vemos hoje, essa descabida capitulação moral e biográfica do presidente e parte de seu partido, nosso poleiro tucano tem nome e lado. Somos adversários do grupo Sarney e tudo que representa seu nefasto legado de práticas oligárquicas. No entanto, não faço política contra pessoas, mas contra idéias e práticas que repudio. Por isso nunca me verão descortês com qualquer adversário, mas também não me verão titubear diante dos princípios que norteiam nossa luta doutrinária e política.
Foi graças a essa nítida demarcação de território que nosso partido cresceu no Maranhão, conquistando hoje os maiores colégios eleitorais do Estado e administrando a maior parcela do PIB maranhense. Esse quinhão de confiança de que somos fiadores perante os eleitores maranhenses também nos impõe responsabilidades. Dentre elas a de conjugar solidariamente com nossos aliados a tarefa maior de devolver o poder ao povo do Maranhão.
Aprendi que política se faz com voto, não com veto. E o combustível da política é a saliva, o diálogo, nem tanto para o convencimento ou a sedução, mas o diálogo socrático, que busca a verdade e o consenso pela força lógica dos argumentos. Afinal, a convergência nasce da divergência.
Essa política não comporta adesões, um traço de velhas práticas que a sociedade repudia. Ao contrário, busca convergências para um objetivo comum. E quando o objetivo é comum as estratégias confluem, ainda que as táticas possam divergir. Temos que estar preparados para todos os cenários, na areia movediça que se tornou a política maranhense. Seja qual for esse cenário o tucano e a rosa estarão juntos, parceiros de uma mesma história, solidários nas mesmas vicissitudes e, queira Deus, artífices da construção de um outro Maranhão.
Advertisemen