Com Temer, veja quem ganhou emprego público

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O cabide de emprego dos fedelhos do MBL

Com o apoio da mídia golpista e muita grana de origem desconhecida, alguns grupelhos fascistas ganharam projeção durante a cavalgada pelo impeachment de Dilma e enganaram milhares de ingênuos. O mais famoso – e também o mais sinistro, por suas ligações com perigosas ONGs estadunidenses – foi o Movimento Brasil Livre (MBL). Com o tempo, porém, a máscara vai caindo. A seita que dizia ser contra a política e os partidos lançou dezenas de candidatos em 2016 – sempre por legendas da direita, como o DEM e o PSDB – e até elegeu sete vereadores. Ela ainda dizia que era contra o “aparelhamento” dos cargos públicos, mas agora vem à tona que vários de seus fedelhos estão pendurados em cabides de empregos com altos salários. Aos poucos, o MBL será chamado de Movimento da Boquinha Livre, como já ironizou George Marques do site The Intercept-Brasil.

Segundo matéria publicada nesta segunda-feira (24) pela Folha – que deu tanto apoio ao grupelho e até abriu espaço em suas páginas para o seu líder, o petulante Kim Kataguiri –, integrantes do MBL hoje ocupam cargos públicos em vários Estados. De autoria do repórter Felipe Bächtold, “a reportagem identificou lideranças do movimento nos protestos nomeados para cargos em Florianópolis, Porto Alegre, Goiânia, Caxias do Sul (RS) e São José dos Campos (SP). Os indicados têm perfil jovem e de início na carreira política”. Vale a pena conhecer alguns dos “espertinhos” e oportunistas que engaram tantos otários:

- O banner de campanha dizia ‘candidato oficial: MBL 2016’. Hoje, o ex-candidato a vereador pelo DEM Ramiro Zinder está em uma diretoria na Secretaria de Turismo de Florianópolis... Em Florianópolis, Zinder, 37, agradeceu ao MBL no Facebook por ter ajudado ‘a se tornar uma liderança política’. Ele fora nomeado, em fevereiro, para outro cargo, na pasta da Educação da gestão de Gean Loureiro (PMDB).

- Na capital de Goiás, governada por Iris Rezende (PMDB), a indicação também foi de um candidato derrotado a vereador. Agora na presidência do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais, com salário de mais de R$ 10 mil, Sílvio Fernandes (DEM) recebeu apoio dos coordenadores nacionais do MBL em um vídeo na véspera da eleição.

- Em São José dos Campos, Sandro Mendes, nomeado assessor da Secretaria de Governança na gestão do tucano Felício Ramuth, chegou a ser acionado pela coligação do PT na Justiça Eleitoral por fazer, nas páginas do MBL local, "propaganda negativa".

- O advogado Lohan Fuly foi indicado para uma coordenadoria da Secretaria da Educação. Os dois fizeram postagens na página do movimento criticando a criação de cargos na Câmara Municipal.

- Na capital gaúcha, Ramiro Rosário (PSDB), "candidato oficial" do movimento em 2016, se elegeu para a Câmara, mas hoje é secretário de Serviços Urbanos na administração do tucano Nelson Marchezan Jr. A porta-voz do MBL no Estado foi nomeada para a assessoria da secretaria. Marchezan tem relação próxima com o movimento desde os protestos de 2015 e recebe apoio do grupo na internet.

- Em Caxias do Sul, cidade governada pelo PRB, Rodrigo Ramos, ex-candidato do PR a vereador, assumiu cargo na Secretaria da Cultura.

Diante do levantamento parcial da Folha, que não deve contemplar boa parte dos fascistas mirins agraciados com boquinhas em cargos públicos pelos serviços sujos prestados na cruzada contra a democracia, Kim Kataguiri reagiu histérico. Jurou que as indicações de militantes do MBL são “técnicas e não políticas” e disse que o grupelho quer levar “pessoas com capacidade para a máquina pública”. Na maior caradura, ele retrucou a reportagem: “O que a gente crítica é o cabide de emprego”. Já o prefeito de Porto Alegre, o provocador fascista Nelson Marchezan (PSDB), rosnou que “o pior era quando o relacionamento do poder púbico era com as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]” e fez rasgados elogios aos fedelhos do MBL.

É bom acompanhar com lupa a atuação destes “técnicos” do Movimento Boquinha Livre. Vereadores do mesmo grupelho já foram denunciados por desvios de verbas públicas e pelo uso de caixa-2 nas campanhas eleitorais. Esta turma se diz inimiga do Estado – principalmente no que se refere aos seus programas sociais –, mas adora mamar nas suas tetas.

Altamiro Borges

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