Reforma trabalhista é rejeitada em Comissão do Senado

Publicidade
Representantes de centrais sindicais, que fazem hoje (20) um dia de protestos contra as reformas e pela saída de Michel Temer, comemoraram o resultado favorável da votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, mas observam que é preciso manter a mobilização. "Esse resultado é uma demonstração cabal de que a mobilização e a pressão são a arma mais eficaz da classe trabalhadora contra os desmontes sociais, trabalhista e previdenciário que Temer e sua turma querem fazer", disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Por 10 votos a 9, a CAS rejeitou relatório de Ricardo Ferraço (PSDB-ES) favorável à manutenção, na íntegra, do projeto de "reforma" trabalhista vindo da Câmara. Em seu lugar, foi aprovado simbolicamente voto em separado de Paulo Paim (PT-RS) pela rejeição total ao texto. Amanhã, o PLC 38 passa a tramitar na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, onde terá parecer de Romero Jucá (PMDB-RR), que é líder do governo.

"É importante continuar e reforçar as nossas mobilizações nos estados e municípios, principalmente nas bases dos senadores que fazem parte da CCJ, onde a proposta vai ser votada no próximo dia 28", acrescentou Vagner, para quem a derrota sofrida pelo governo é a primeira de uma série que as centrais e os movimentos sindicais pretendem impor a Temer. O presidente da CUT observa que, apesar de o Planalto ter sofrido um revés político, a proposta continua tramitando e a decisão final caberá ao plenário do Senado.



O presidente da CTB, Adilson Araújo, também destacou o resultado. "Com todas as investidas do Planalto, o governo sofre uma derrota de grande repercussão", afirma o dirigente. Segundo ele, a votação na CAS estimula a oposição. "Não compete ao movimento sindical nenhum tipo de vacilação", diz. "A base do governo começa a fazer água. O 'esquenta' de hoje tende a se fortalecer", acrescenta, referindo-se às manifestações realizadas nesta terça pelo país.

As centrais transferiram para a próxima sexta-feira (23) a reunião que estava programada para amanhã, para avaliar o dia de protestos e discutir o indicativo de greve geral, a princípio no dia 30. "A greve é parte do calendário", diz o presidente da CTB. "Devemos ser mais vigilantes do que nunca. O quadro político é imprevisível. Temos de seguir na resistência."

Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Nota do editor da Aldeia: Assista antes o programa Frederico Luiz Entrevista desta quarta, 21 de junho, sobre o julgamento do ex-presidente Temer pelo TSE.


Publicidade >