1º banco público para transplante de medula chega em 2017

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Maranhão inicia implantação do primeiro Centro de Processamento de Tecidos e Células

O Maranhão iniciou a implantação do Centro de Processamento de Tecidos e Células, que será o primeiro banco público do estado de coleta de sangue para transplantes como o de medula óssea. O Governo Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), vai disponibilizar o espaço físico e recursos humanos para o funcionamento do banco de coleta na Maternidade Benedito Leite e para o banco de armazenamento do material coletado, que funcionará no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão (Hemomar). Os equipamentos serão doados pelo Ministério da Saúde (MS).

A instalação do Centro no estado faz parte da fase de expansão da Rede BrasilCord, vinculada ao Instituto Nacional do Câncer (INCA) e Ministério da Saúde (MS), e que deve totalizar, ainda em 2017, 16 bancos públicos de coleta e armazenamento espalhados pelo Brasil. O serviço irá prover pacientes que necessitam de transplante em todo o país, aumentando as chances de se encontrar material genético disponível para esses pacientes.

O Centro, que será gerido pelo Hemomar, tem capacidade para coletar 80 cordões umbilicais por mês, de onde serão extraídas células-tronco - células fundamentais no transplante de medula óssea. O Hemomar, além de armazenar o material coletado, disponibilizará uma equipe especializada para acompanhar 24 horas as atividades no banco de coleta instalado na Maternidade Benedito Leite.

A previsão é que o serviço inicie as atividades até o final deste ano. "Estamos compondo uma estrutura em parceria com o Inca e Ministério da Saúde, para oportunizar e consolidar um importante avanço na saúde pública do Maranhão, não apenas com instalação do centro de coleta e, sim, com a conexão em rede com o Brasil. O Governo participa da iniciativa com recursos humanos, estrutura física e, também, viabilizando o nitrogênio responsável pelo armazenamento e conservação dos cordões”, disse o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

De acordo com o diretor do Centro de Processamento de Tecidos e Células, Marcelo Valente, tanto a Maternidade Benedito Leite quanto o Hemomar trabalham na etapa final de implantação do serviço. “Estamos finalizando o contrato entre as duas instituições de saúde e, a partir dele, com financiamento do BNDES, faremos as mudanças estruturais para montar nosso centro de coleta dentro da maternidade”, explicou.

Instalações
O Centro de Processamento de Tecidos e Células funcionará em duas estruturas: um banco de coleta de cordão umbilical e sangue placentário e um banco para armazenamento do material.

O banco de coleta será instalado em uma sala de aproximadamente 6m², com bancada e pia e uma área refrigerada para guardar os cordões, na Maternidade Benedito Leite. Após coletado, o material será direcionado ao banco de armazenamento, que funcionará nas dependências do Hemomar, em uma área física de 96m².

De acordo com Ianik Leal, presidente da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh), instituição gestora do Hemomar, a oferta deste serviço é um diferencial, que reforça os avanços da saúde em nosso estado. “Pela grandiosidade do serviço é um orgulho poder viabilizar esta iniciativa. No Brasil, não temos muitos bancos públicos de captação de doadores e nem captação de cordão umbilical. Nosso papel é estruturar o funcionamento do serviço, o que muito nos orgulha diante do que isso representa sobre o avanço da saúde em nosso estado; só temos a comemorar com esse largo passo que está sendo dado pela gestão de saúde atual”, disse a médica.

Cada serviço existente no país tem capacidade de armazenamento de 3.500 bolsas de material genético, com possibilidade de expansão para até 7 mil. A previsão, com a abertura dos três novos serviços, em São Luís (MA), Manaus (AM) e Campo Grande (MS), que compõem a fase 3 do projeto de expansão da Rede BrasilCord, é armazenar material genético suficiente para a demanda de transplantes no país.

Doações
Os bancos da Rede BrasilCord mantêm convênio com maternidades para coleta dos cordões. As doações só podem ser realizadas nos hospitais conveniados, onde existem equipes treinadas para realizar a abordagem da gestante, acompanhamento da gestação e coleta do material no momento do nascimento da criança.

Na Maternidade Benedito Leite, em 2016, foram registrados 4.837 partos, sendo 2.912 normais e 1.925 cesáreas. Atualmente, nove pacientes maranhenses estão cadastrados no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme) em busca de doadores compatíveis. Para Marcelo Valente, o número de partos na maternidade permite fazer projeções positivas sobre a quantidade de material a ser coletado.

“O fluxo das doações já é pré-estabelecido pelo Inca. Por isso que nossa equipe, que deverá ser formada por cerca de oito profissionais, passará por um intenso treinamento com a equipe do Instituto Nacional do Câncer e lá eles vão trabalhar toda a abordagem das gestantes de forma a conscientizá-las da importância de doar o cordão umbilical. E é a partir disso, que traçamos nossa meta de coletar pelo menos 80 cordões por mês”, frisou o diretor Centro, Marcelo Valente.

Sobre a Redecord
A Rede Brasileira de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, a Rede BrasilCord, foi criada em 2004, para armazenar amostras de sangue de cordão umbilical, material rico em células-tronco hematopoéticas (capazes de produzir os elementos fundamentais do sangue), essenciais para o transplante de medula óssea. Desde 2006, a Fundação do Câncer gerencia o projeto de expansão da Rede. Atualmente, o país conta 21.692 mil unidades de cordão armazenadas e 179 já foram identificadas e usadas para transplantes.

Flávia Batista com foto de Francisco Campos, Agência Maranhão de Notícias
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