Tucanos tem imunidade, confirma procurador. É outro nível!

Publicidade

Janot alerta para obstrução após indicação de Moraes no STF, mas blinda PSDB

O grampo do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que foi liberado em maio do último ano, mostrava um esquema entre caciques do PMDB e da cúpula do governo de Michel Temer, entre eles, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), para construir um "grande acordo nacional" com Temer e impedir o avanço da Operação Lava Jato. Mas em delação ao investigadores, Machado afirmou que o PSDB fazia parte deste núcleo para "estancar" a Lava Jato.

Oito meses depois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede a instauração de inquérito contra os nomes do PMDB que negociavam esse "pacto nacional", incluindo José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR). Entretanto, assim como os procuradores da República não mostraram interesse na delação de Machado em saber quem eram os políticos do PSDB envolvidos na tentativa de obstrução, em junho de 2016, Janot também não os incluiu no pedido de inquérito.

A interceptação telefônica de Sérgio Machado vazou em maio de 2016. Á época, soube-se que o impeachment da então presidente Dilma Rousseff foi a consequência de uma negociação feita pelos parlamentares e políticos do PMDB e de outros partidos para "estancar a sangria" da Lava Jato.

Em declaração do ex-senador Delcídio do Amaral, por exemplo, veio à público que a presidente Dilma não estava interessada em atuar sob o Judiciário, após a grande pressão feita por deputados e senadores que entravam na mira da Lava Jato, leia aqui.

É neste momento que surge o grampo do ex-presidente da Transpetro, nome do PMDB, com Jucá, Renan e Sarney. Essas conversas já datavam de março de 2016. O primeiro áudio vazado mostrava Jucá sugerindo a Machado uma "mudança" no governo federal para impedir "a sangria" que as investigações ameaçavam contra os políticos.

O senador, braço direito do governo Temer, defendeu uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos do juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. "Como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", disse a Machado. A partir de então, ambos trocaram conversas com Sarney e com Renan, reunindo-se em encontros naquele período.

Em trecho determinante, o senador peemedebista Romero Jucá frisou que, em eventual governo de Michel Temer, era necessário construir o tal pacto nacional "com o Supremo, com tudo". "Aí parava tudo", continuou Machado. "É. Delimitava onde está, pronto", confirmou Jucá.

A deixa de que o governo Temer influenciaria o STF contra o avanço da Lava Jato sobre a sua cúpula, entre eles peemedebistas e tucanos, não é coincidência para a apresentação do pedido de inquérito pela Procuradoria-Geral da República, um dia após a indicação por Michel Temer de seu ministro da Justiça para compor a maior instância, o Supremo.

No intuito de alertar contra a obstrução que ameaça os trabalhos de Moro e da Lava Jato, Janot teve que acelerar o inquérito. Mas, consequentemente, está levando ao Supremo o julgamento de que o impeachment de Dilma Rousseff foi parte da obstrução da Justiça.

Por outro lado, apesar de indicar aos atuais ministros os riscos de uma nomeação de dentro do governo para a Corte Maior, com o pedido de instauração de inquérito, Janot ignorou por completo a inclusão do PSDB nos investigados do "grande pacto nacional".

Em outubro, o GGN publicou a reportagem "Lava Jato não quis saber quem do PSDB discutiu 'estancar' a operação", mostrando que em delação posterior ao vazamento do grampo, Machado disse que entre os interessados na obstrução estava o PSDB.

Aos investigadores, o ex-presidente da Transpetro explicou: "Na conversa com o senador Romero, ele falou que esteve há poucos dias com o PSDB, que estava interessado no assunto". E seguiu: "Ele [Jucá] aventou [junto a políticos do PSDB] as hipóteses de manter a operação no que estava ou aguardar uma constituinte, que poderia acontecer em 2018, onde seria limitado o poder do Ministério Público."

Os procuradores então questionaram: "então o senador conversou com parlamentares do PSDB para costurar um acordo…". "Isso estava acontecendo com vários políticos interessados no assunto. Tinha muita gente preocupada com isso em Brasília", confirmou Machado.

Mas paralisando as apurações neste patamar, apenas no foco de "estancar a Lava Jato", que seria um sinônimo de obstruir os trabalhos de Sérgio Moro e sua força-tarefa, os investigadores não questionaram nada mais, nem nomes de integrantes do PSDB, apesar de ter competência para tal, uma vez que se tratava de apuração da Procuradoria-Geral da República, responsável por investigar políticos.

Se Janot tenta alertar o STF do possível risco de entrada de nome do governo Temer no Judiciário, mencionando inclusive o caso de obstrução como "solução Michel", por outro, blinda os "interessados" do PSDB na obstrução da Operação Lava Jato, citados por Machado.

Patricia Faermann, Jornal GGN
Publicidade >







Recomendação do Google: