PM-ES cerca seguidor de Bolsonaro

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A situação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato da extrema-direita para as eleições presidenciais de 2018, pode se complicar nos próximos dias. Uma rede de seguidores do fascista manipulou o protesto de 21 dias da Polícia Militar do Espírito Santo por melhores salários e contra o arrocho do governador Paulo Hartung. Segundo as investigações, ela teria estimulado atos de violência, com chacinas e saques. Agora, porém, os principais líderes desta suposta conspiração, que causou pânico e terror na população capixaba, estão sendo investigados e presos. Um deles, o ex-deputado federal Capitão Assumção – muito ligado a Jair Bolsonaro – conseguiu escapar de um cerco policial neste final de semana.

Segundo reportagem do jornal Estadão, assinada pelos repórteres Leonêncio Nossa e Adriana Fernandes, “a Justiça Militar do Espírito Santo decretou no sábado (25), a pedido do Ministério Público Estadual, a prisão de quatro policiais por envolvimento no motim dos policiais militares do Estado. Eles são acusados de incitar o movimento e de aliciamento de outros policiais com a divulgação de áudios e vídeos em redes sociais. A polícia tentou prender os quatro em suas casas, mas não os encontrou. Um deles, o ex-deputado federal e militar da reserva conhecido como capitão Assumção, foi encontrado mais tarde no 4º Batalhão da PM, em Vila Velha. Os policiais da Corregedoria da PM chegaram a detê-lo, mas ele escapou”. Bem estranho!

“Segundo agentes da equipe que tentou prendê-lo, Assumção, que é aliado do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), conseguiu fugir em meio a um tumulto criado por um grupo de colegas e de mulheres de policiais amotinados, que se manifestava em frente ao quartel. Houve troca de empurrões e o ex-deputado escapou depois de receber voz de prisão. Dos quatro militares que tiveram a prisão decretada, apenas o tenente coronel Carlos Alberto Foresti havia sido detido até a conclusão desta edição. O oficial se apresentou no sábado na unidade da Polícia Militar de Itaperuna, no Rio de Janeiro, e foi encaminhado para o presídio da Polícia Militar do Espírito Santo, em Vitória”.

Ainda de acordo com a reportagem, a corregedoria da PM informou que está adotando as medidas necessárias para cumprir as ordens de prisões dos demais policiais. Segundo o jornal, o ex-deputado Capitão Assumção, filiado ao mesmo partido de Jair Bolsonaro, foi um dos principais líderes do motim. “Ele teve participação presencial nas entradas dos quartéis e na divulgação de mensagens de apoio nas redes sociais. No sábado, o Estado mostrou que o motim contou com o apoio de um grupo aliado de Bolsonaro no Espírito Santo. O secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, Eugênio Ricas, disse que há indícios claros de que o movimento foi de ‘fachada’ motivado por interesses políticos e econômicos”.

“Sem citar nomes, o secretário afirmou que o Espírito Santo viveu um quadro de ‘terrorismo digital’ por meio da disseminação de informações falsas e boatos com o objetivo explícito de colocar a população em pânico, paralisar o transporte público e fechar o comércio. Segundo Ricas, 80% das mensagens partiram de pessoas e redes de fora do Estado. ‘O que se espera de um movimento como esse que toda a movimentação seja do Estado, principalmente dos policiais, mas não foi o que aconteceu’, disse. O secretário informou que há indícios robustos dos interesses políticos e econômicos por trás do movimento. Dados pessoais do secretário e de seus familiares foram invadidos e disseminados por e-mail durante o fim de semana. ‘Fica evidente a ousadia desse grupo e o que eles são capazes’, afirmou”.

Ainda de acordo com Eugênio Ricas, “pode ter havido crime contra as leis de Segurança Nacional e de Terrorismo”. O deputado Jair Bolsonaro, que adora pregar maior repressão militar contra grevistas e protestos sociais – recentemente, ele rosnou mais uma vez contra o MST e o MTST –, que se cuide. Ele pode ser vítima da sua própria língua ferina e das suas provocações fascistas!

Comunidade judaica rejeita Bolsonaro
Até hoje, o extremista Jair Bolsonaro contou a cumplicidade dos seus pares no parlamento e com os holofotes da mídia. Esta covarde conivência permitiu que ele ganhasse adeptos com seus discursos de ódio e pontos nas pesquisas de opinião. Na mais recente sondagem da CNT, ele inclusive ultrapassou os tucanos de alta plumagem – como Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin –, despontando como possível concorrente de Lula nas eleições presidenciais de 2018. Diante deste alarmante risco, vários setores da sociedade começam a se manifestar. Nesta semana, integrantes da comunidade judaica reagiram com um abaixo-assinado na internet contra o convite do clube Hebraica de São Paulo ao notório fascista. Vale conferir o manifesto:

Não aceitamos Bolsonaro na Hebraica- SP

Impossível ficar passivo ao convite para que Jair Bolsonaro venha ser entrevistado para uma plateia na Hebraica de São Paulo.

Tomados pela incredulidade de convite para entrevista com plateia de Jair Bolsonaro na sede do clube, nós judeus brasileiros chamamos a direção da Hebraica-SP para ponderar as implicações de tal atividade para a comunidade judaica brasileira como um todo, e a paulista em especial.

Bolsonaro representa a extrema direita brasileira e em todas oportunidades em que lhe é permitido falar, explora e ataca as minorias entre as quais, nós judeus, nos encontramos.

Ele é homofóbico, misógino, racista e antissemita por natureza e convicção. Idolatra a extrema direita neonazista e admira os torturadores da ditadura militar, a qual enaltece em todas as oportunidades.

Por tudo isso que em nome da memória de Vladmir Herzog, Iara Iavelberg, Ana Rosa Kucinski, Gelson Reicher, Chael Charles Schreier, e tantos outros judeus vítimas da ditadura, os abaixo assinados pedem que a Hebraica-SP não permita ato com Jair Bolsonaro na sede do clube.

Em tempo
A Folha desta terça-feira (28) informa que a palestra do troglodita agendada para março “dividiu a comunidade judaica” e foi suspensa pelo clube Hebraica. “De um lado, interessados e simpatizantes do deputado de extrema direita, provável candidato a presidente em 2018, indignaram-se com a decisão da diretoria do clube, a qual chamaram de censura. De outro, críticos de Bolsonaro articularam abaixo-assinado com mais de 2.700 nomes como o do ex-ministro Renato Janine Ribeiro. Nas redes sociais, afloraram protestos contra a iniciativa, vista como gesto de anuência aos valores defendidos pelo político. Bolsonaro é alvo de processos de cassação na Câmara por acusações como ser homofóbico e favorável à tortura”.

Segundo o empresário gaúcho Mauro Nadvorny, que organizou o abaixo-assinado, o convite foi um erro e gerou reações. “Tomou essa proporção por tudo de ruim que representa o Bolsonaro. Um cara racista, misógino, antissemita pensar em ser recebido em um clube da comunidade é, por si só, terrível... Tem aqueles que se deixam seduzir pelo canto da sereia, que, neste caso, nos remete ao holocausto. Quando Hitler começou, também teve apoio de judeus”.

Altamiro Borges

Notas do editor da Aldeia:
a)
O Capitão Assumção, perdeu a eleição para vereador em Vitória-ES no ano passado. Ex-deputado federal. agora, é procurado pela mesma polícia que ajudou a liderar.

b) Atualização às 14h451min para inclusão da prisão do acusado:

PM prende ex-deputado aliado de Bolsonaro

A Polícia Militar do Estado do Espírito Santo informou nesta terça-feira que o capitão da reserva Lucinio Castelo de Assumção, conhecido como Capitão Assumção, se entregou nesta manhã na Corregedoria da Polícia Militar e está recolhido no presídio da corporação. Ontem, o sargento Aurélio Robson Fonseca da Silva também se apresentou à PM do Estado.
Assumção, Silva e outros dois policiais tiveram a prisão decretada no sábado pela Justiça Militar do Espírito Santo, a pedido do Ministério Público Estadual, por envolvimento no motim dos policiais militares do Estado. Eles são acusados de incitar o movimento e de aliciamento de outros policiais com a divulgação de áudios e vídeos em redes sociais.

No sábado, a polícia tentou prender os quatro policiais em suas casas, mas não os encontrou. Um deles, o Capitão Assumção, que é ex-deputado federal e aliado do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), foi encontrado mais tarde no 4º Batalhão da PM, em Vila Velha. Os policiais da Corregedoria da PM chegaram a detê-lo, mas ele escapou.

Segundo agentes da equipe que tentou prendê-lo, Assumção conseguiu fugir em meio a um tumulto criado por um grupo de colegas e de mulheres de policiais amotinados, que se manifestava em frente ao quartel. Houve troca de empurrões e o ex-deputado escapou depois de receber voz de prisão.

Dos quatro militares que tiveram a prisão decretada, apenas o tenente-coronel Carlos Alberto Foresti havia sido detido no sábado, quando se apresentou na unidade da Polícia Militar de Itaperuna, no Rio de Janeiro, e foi encaminhado para o presídio da Polícia Militar do Espírito Santo, em Vitória.

A PM informou hoje que "estará adotando medidas para cumprir a ordem de prisão do quarto policial militar com mandando de prisão ainda em aberto".

As investigações da PM apontaram que o tenente-coronel Foresti, que trabalhava no centro de despacho de viaturas, desde o início do movimento, fez manifestações de apoio aos policiais com divulgação de vídeos nas redes sociais. Já o capitão Assumção teve participação presencial nas entradas dos quartéis e divulgação de mensagens de apoio nas redes sociais.

Conforme o Estado mostrou em reportagem do fim de semana, o motim contou com o apoio de um grupo aliado de Bolsonaro no Espírito Santo. O secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, Eugênio Ricas, disse que há indícios claros de que o movimento foi de "fachada" motivado por interesses políticos e econômicos.

Sem citar nomes, o secretário afirmou que o Espírito Santo viveu um quadro de "terrorismo digital" por meio da disseminação de informações falsas e boatos com o objetivo explícito de colocar a população em pânico, paralisar o transporte público e fechar o comércio. Segundo Ricas, 80% das mensagens partiram de pessoas e redes de fora do Estado.

Uma equipe de especialistas em comunicação digital ajudou a reportagem a rastrear o movimento de apoio nas redes sociais ao motim da PM. Bolsonaro publicou na sexta-feira em sua página no Facebook a mesma resposta que deu ao Estado, informando que só se manifestaria sobre o assunto ao vivo e desde que a conversa fosse gravada em vídeo. A defesa dos envolvidos não foi localizada.

Folha e Estadão

Nota do editor da Aldeia: Em virtude das pressões, o debate foi cancelados. O rabino Michel Schlesinger apoiou o cancelamento: “O judaísmo tem tradição de debate. Mas a liberdade de expressão não pode servir de plataforma para a propagação de ideologia discriminatória e apologética à ditadura”. (Diário do Centro do Mundo)
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