Mais 1.200 são alfabetizados em 2 municípios do MA

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População de São João do Caru e Jenipapo dos Vieiras comemora certificação do Sim, Eu Posso

Dona Antônia Pereira Araujo da Silva, 60 anos, teve que trabalhar na roça desde a infância para ajudar no sustento da casa. "Assim cresci, nunca tive oportunidade de estudar, sonhava em ser médica ou juíza, consegui ainda colocar todos os meus nove filhos pra estudar. Hoje chegou a minha vez, recebi meu diploma e quero continuar, para que eu possa ter um nível melhor de estudo", revelou. Ela é uma das 619 pessoas alfabetizadas pela Jornada "Sim, Eu Posso", em São João do Caru.

Segundo o Imesc (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos), há 1.277 analfabetos no município. Com a ação alfabetizadora do programa beneficiando 619 pessoas, o Governo do Estado e o Movimento Sem Terra (MST) conseguiram reduzir em 48% a população caruense analfabeta.

Al-fabetizadas participaram da formatura do programa em São João do Caru
Alfabetizadas na formatura do São João do Caru.Foto: Lauro Vasconcelos

Nesta semana, milhares de pessoas foram certificadas em formaturas do programa ‘Sim, Eu Posso!’. São jovens e adultos de oito municípios com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que aprenderam ler e escrever e agora poderão continuar seus estudos e assim, garantir escolaridade.

"O Governo Flávio Dino tem a meta de tornar essas cidades territórios livres do analfabetismo. Iniciaremos um novo ciclo neste ano, com metas ousadas e focadas em melhorar a vida das pessoas, com a ajuda de todos, governo, prefeituras e o MST, para que as pessoas saibam ler e escrever. É dessa forma que vamos mudar a vida dos maranhenses", enfatizou o secretário de Estado da Educação durante a certificação dos alunos do 'Sim, Eu Posso!'.

Em Jenipapo dos Vieiras, foram mais de 600 pessoas alfabetizadas pelo "Sim , Eu Posso!" em povoados e aldeias.

Dona Francisca, do povoado Alto do Coco, já sabe ler. Segundo ela "antigamente o sabido lá de casa era meu esposo, tudo eu perguntava pra ele, agora, depois do Sim , eu já sei ler , ele tá estranhando porque eu não peço mais ajuda pra ele na hora de ler as receitas que vem no rótulos dos alimentos [risos], e ainda chego com cada história em casa", contou.

Com 65 anos, João Pereira, morador de Jenipapo dos Vieiras, relatou que sempre que precisava ir ao banco tinha que levar alguém acompanhando-o. "Eu sempre precisava que alguma pessoa me acompanhasse pra ir ao banco tirar dinheiro.
Uma vez pedi ajuda para uma pessoa tirar meu dinheiro e ele disse que não tinha dinheiro na minha conta, mas o cara fez foi me enrolar e ficou com meu dinheiro. Hoje que já sei ler eu mesmo tiro meu dinheiro sem ajuda de ninguém. Agradeço muito ao sim eu posso , que mudou a minha vida", revelou emocionado.

Tanto Jenipapo quanto São João do Caru são municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e fazem parte das oito cidades contempladas com o ‘Sim, Eu Posso!’, que é executado pelo Movimento Sem Terra (MST) e coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop).

Para o brigadista do MST em Jenipapo, Lucas Araujo, Governo do Estado e MST estão combatendo uma chaga que paralisou a melhoria da qualidade de vida de muitos maranhenses. "Tem sido uma experiência exitosa porque conseguimos alfabetizar em oito meses centenas de pessoas e ainda ensiná-los noções de cidadania. Valeu a pena", avaliou.

Um dos diferenciais do 'Sim, Eu Posso!' são alfabetizadores, que fazem do programa uma estratégia para superar barreiras e desafios no processo de letramento. " A gente sempre incentiva o aluno e faz de tudo para que ele não falte às aulas. Quando a pessoas está grávida a gente ajuda, busca em casa, dizemos que eles podem levar os filhos e damos todo apoio necessário para que não desista, até flexibilizando os horários das aulas", realçou a professora Raimunda Orlanda Bezerra Barbosa, depois de revelar sua paixão pelo processo de alfabetizar.

Para a professora caruense, Roseane Borges de Melo, o programa foi um marco em sua carreira docente. "Eu nunca tinha trabalhado com alfabetização. Foi uma experiência ímpar que desejo continuar em minha carreira profissional", disse.

Na próxima semana, nos dias 16 e 17, mais de mil pessoas, entre brigadistas, alfabetizadores, coordenadores e alfabetizados do programa participarão, em São Luís, de seminário estadual e ato público da jornada, marcando o encerramento do primeiro ciclo do 'Sim, Eu Posso' no estado.

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