Morre Dom Paulo Evaristo Arns

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Morreu, em São Paulo, o Arcebispo emérito Dom Paulo Evaristo Arns. Dom Paulo, que estava com 95 anos e completou 50 anos de bispado, estava internado desde o dia 28 de novembro no Hospital Santa Catarina, em São Paulo, por problemas decorrentes de uma broncopneumonia.

Dom Odilo Scherer, da Arquidiocese de São Paulo, fez o comunicado da morte de Dom Paulo. A nota enfatiza os 76 anos de consagração religiosa, 71 anos de sacerdócio ministerial, 50 anos de episcopado e 43 anos de cardinalato. Mais importante, a nota lembra o engajamento corajoso de D. Paulo na defesa da dignidade humana e dos direitos inalienáveis de cada pessoa.

Dom Paulo foi ordenado sacerdote em 1945, logo depois foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde completou letras, pedagogia e defendeu seu doutorado. Entre 1960 e 1970 realizou seus trabalhos na Zona Norte de São Paulo, dedicando-se aos trabalhos voltados para a população de baixa renda.

Na vida, Dom Paulo foi jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros.


Durante o período negro da ditadura militar, ele travou sua luta mais dura em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor das Diretas Já. Em 1971 denunciou a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. Neste ano fez a defesa de Dom Hélder Câmara e de Dom Waldyr Calheiros, pressionados que estavam pelo regime militar.

A Comissão Justiça e Paz de São Paulo foi criada por ele em 1972, quando era presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na ocasião, tomou a frente com a publicação de “Testemunho da paz”, um documento com críticas ao regime militar.

Na Catedral da Sé, realizou celebrações corajosas em memória de vítimas da ditadura militar. Em 1973 fez em honra de Alexandre Vannucchi Leme, estudante universitário e, em 1975, por honra de Vladimir Herzog, jornalista assassinado no DOI-CODI.

Em 1977 movimentou-se contra a invasão da PUC, comandada pelo coronel Erasmo Dias, quando secretário de Segurança de São Paulo. E atuou também em favor das vítimas da ditadura na Argentina. Adolfo Perez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, disse que, por duas vezes, Dom Paulo o salvou durante a ditadura no Brasil.

Ele foi o grande responsável pela preservação da nossa história, facultando e apoiando o importante projeto de denúncia dos desfeitos da ditadura, o projeto Brasil Nunca Mais.

Dom Paulo foi a voz de milhares de pessoas em vários momentos da história do país. E será lembrado com orgulho e carinho por seus feitos. Dom Paulo, presente!

Jornal GGM
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