Ódio e fascismo dissipam chances de desenvolvimento

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Por meio de sua conta pessoal no Twitter, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se manifestou sobre o ato ilegal e contrário à Constituição protagonizado por cerca de 50 manifestantes, que invadiram na tarde da última quarta-feira (16) o plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, para pedir intervenção militar no país.

"O demônio do fascismo, quando sai da garrafa, produz coisas assim", pontuou Flávio Dino sobre o controverso episódio.


Mas não foi apenas após a polêmica invasão ao Congresso Nacional que o governador se posicionou sobre a escalada do ódio na sociedade brasileira. Em março deste ano, durante entrevista concedida ao site de notícias Brasil 247, Dino já havia avaliado como "assustador" e "preocupante" o clima caótico e de instabilidade que vem marcando a cena política brasileira.

"A tradição brasileira sempre foi a de ter capacidade para resolver conflitos por meio do diálogo e da conciliação. Esse novo traço do brasileiro tem um traço muito preocupante, que é a falta de razoabilidade. O ódio que já havia nas redes sociais transbordou para as ruas e o nome disse é fascismo. Tiraram o gênio do fascismo da garrafa e agora não sabem como colocá-lo de volta", disse Flávio Dino à época.

Considerado por vários especialistas como um dos quadros políticos nacionais mais lúcidos da atualidade, ainda no início do ano, antes do processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff, Flávio Dino já entendia que o país estava divido em polarizações delineadas, de forma contraditória, por grupos dominantes, que segundo a leitura do governador, "decidiram jogar o Brasil numa conflagração que vai contra seus próprios interesses".

Na entrevista concedida ao Brasil 247, Flávio Dino anteviu um longo ciclo de vingança e violência política no país. Para Flávio Dino, casos como o registrado ontem em Brasília, onde fração organizada da sociedade invade uma casa legislativa pedindo a volta da ditadura militar, representam o crescimento da onda de violência fascista entre os brasileiros, resultante da grave desarmonia institucional entre os poderes e da crise de legitimidade do Estado brasileiro.

"Polarizações que foram semeadas transformaram-se em ódio no qual só uma planta cresce: a violência fascista. Não me refiro apenas ao episódio da Câmara, e sim ao conjunto da obra: desarranjo entre os Poderes e grave crise de legitimidade do Estado", definiu.

Ainda via Twitter, Flávio Dino lamentou que o país venha desperdiçando todo seu potencial de desenvolvimento pela intolerância e falta de diálogo entre os entes políticos.

"Muito triste saber que Brasil tem tudo para se desenvolver, mas desacertos e ódios estão dissipando nossas chances", concluiu.

Brasil 247
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