Mídia confirma fiasco da economia

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A imprensa golpista apostou todas as suas fichas no terrorismo econômico durante o governo Dilma e vendeu a ideia aos "midiotas" de que bastaria aprovar o impeachment para o Brasil voltar a crescer. Após o afastamento temporário da presidenta eleita, em maio, os urubólogos deixaram o pessimismo de lado e passaram a difundir apenas mensagens otimistas sobre a retomada da economia. Antes, eles afirmavam: está ruim e vai piorar; o país está a beira do inferno. Depois, como por milagre, os porta-vozes do covil golpista de Michel Temer firmaram um coro: está ruim, mas vai melhorar; o Brasil vai ingressar no paraíso, com a volta dos investimentos privados, a "retomada da confiança do mercado" e o acerto das contas públicas. Este vergonhoso chapa-branquismo, porém, não resistiu à realidade!

Nos últimos dias, a própria mídia venal já confessa que a recessão se agrava e que não há qualquer perspectiva de melhora no curto prazo. Antes, ela escondia os efeitos da crise capitalista no planeta; agora, ela já culpa o cenário mundial de retração. A confissão da farsa não se dá por arrependimento ou autocrítica. Mas sim porque os dados indicam o fiasco das medidas de "austeridade" do ministro Henrique Meirelles, o czar da economia dos golpistas. Nesta terça-feira (1), o IBGE divulgou que a produção industrial recuou 5,5% no terceiro trimestre de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015. Diante da péssima notícia, a Folha admitiu: "O mau desempenho da produção industrial no terceiro trimestre deste ano mostrou que a recuperação da economia ainda deve tardar a acontecer".

A frustração dos empresários

O resultado negativo é reflexo das quedas na produção nos meses de julho (-0,1%) e agosto (-3,5%) e de ligeira alta em setembro, de 0,5%. Mas mesmo o tímido refresco de setembro não anima o setor. Para o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), "essa melhora foi principalmente impulsionada pelo câmbio desvalorizado, que ajudava nas exportações e tornava nossos produtos mais competitivos em relação a importados. Com a volta do câmbio a um patamar de R$ 3,25, a vantagem competitiva perde força". Até um dirigente da golpista Confederação Nacional das Indústrias (CNI) confessa que o índice do terceiro trimestre "frustrou um pouco as expectativa de que teríamos uma retomada neste fim de ano".

Outro indicador do rápido agravamento da crise é o da queda de 5,1% na produção de bens de capital - máquinas e equipamentos. Este setor é o termômetro dos investimentos na economia. "A despeito do que vinha sendo apontado pela confiança do empresariado industrial, os contínuos resultados negativos da produção de bens de capital e de insumos típicos da construção civil deve levar a uma nova retração da formação bruta de capital fixo", alerta Rafael Cagnin. Ele e outros economistas, inclusive do setor financeiro, concordam que a economia não vai se estabilizar - mas sim piorar - no próximo período. O cenário de incertezas tende a afugentar ainda mais os investimentos privados. Já os investimentos públicos, em decorrência dos "ajustes" do covil golpista, estão congelados.

A queda na venda de veículos

Apesar do otimismo dos ex-urubólogos, a crise se espalha por todos os setores da economia. Também nesta terça-feira, a Reuters informou que "os emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no Brasil caíram 17,2% em outubro ante igual mês de 2015". De acordo com os dados da federação nacional das concessionárias, Fenabrave, na comparação com setembro, a queda foi de 0,6%. "Com o resultado, as vendas de veículos novos este ano até outubro acumulam perda de 22,3% sobre o mesmo período de 2015... A indústria vinha trabalhando com a visão de que o mercado poderia apresentar uma retomada de vendas no segundo semestre". Os novos números frustram as expectativas do comércio e evidenciam que o buraco da crise é mais embaixo.

A agência de notícias Reuters ainda acrescenta: "As vendas de caminhões, um indicador da confiança dos empresários na economia, seguiram trajetória de queda acentuada, despencando quase 41% sobre outubro do ano passado e 18% na comparação mensal". Até o segmento de cervejas está de ressaca. Segundo levantamento da Receita Federal, a produção do setor abriu o último trimestre deste ano em baixa, recuando 2% em outubro em relação ao mesmo mês de 2015. Já a produção de refrigerantes em outubro despencou 13,4% no mesmo comparativo, para 12,089 milhões de hectolitros.

Queda de arrecadação e crise nos Estados

As quedas na produção industrial e no comércio têm agravado a situação das contas públicas, com a redução da arrecadação de tributos nos Estados. Recentemente, o próprio governador tucano Geraldo Alckmin, aliado de primeira hora do covil de Michel Temer, confirmou que a situação fiscal de São Paulo é preocupante. Já o Rio de Janeiro e vários Estados da região nordeste estão quebrados, o que tem gerado atraso no pagamento dos salários dos servidores e das obras contratadas. Diante destes e de outros dados desesperadores, até a revista Época, da famiglia Marinho - um dos esteios do "golpe dos corruptos" -, já dá a mão à palmatória e confessa, timidamente, que mentiu para os seus leitores.

Em recente matéria, intitulada "A retomada da economia ainda está distante", ela até tenta disfarçar o seu crime. Afirma que havia motivos para a euforia após a aprovação do impeachment de Dilma, "que trouxe calma e otimismo aos mercados. Após meses de incerteza, a confiança em relação ao futuro da economia aumentou, em sintonia com o arrefecimento da crise política". Mas conclui que, "hoje, a percepção mudou. O ânimo arrefeceu e a previsão de recuperação está sendo adiada. As expectativas de melhoria não estavam ancoradas no dia a dia da economia". Antes tarde do que nunca para admitir a manipulação. Será que agora Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão também farão autocrítica na telinha da TV Globo?

Em tempo: Ao final da matéria, a revista Época ainda acrescenta um dado político que pode piorar o cenário recessivo. "Não bastasse todos os indicadores econômicos pouco alvissareiros, a prisão preventiva do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, criou mais uma nuvem negra a pairar sobre o governo Michel Temer. Dependendo do que Cunha vier a falar aos procuradores da Operação Lava Jato, a estabilidade política do governo poderá ficar em risco, com o comprometimento da aprovação no Congresso das reformas em curso. Uma volta aos tempos turbulentos do governo Dilma provocará mais incertezas e desconfianças em relação ao futuro da economia".

Altamiro Borges
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