A Morte para o Povo de Santo

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Orixa nunca nos abandona. Hoje. buscando leituras a respeito da morte, algo que me confortasse, encontrei numa página do Facebook {Ómí Tútú}, dedicado a Osun, o texto abaixo que muito me confortou. Que meu Pai Ògun abençoe sempre. [Tomeje {Nelson Souza}ORI]

A Morte para o Povo  de Santo

O povo ioruba acredita que a morte não é o fim da vida. Eles acreditam que exista um outro mundo paralelo ao nosso. A morte para eles não representa o fim da vida terrestre e sim um prolongamento da vida além túmulo.

Este mundo para o povo ioruba é chamado de Orun o mesmo é dividido em 9 partes. Este local para eles é o domínio dos seus ancestrais. A morte para o ioruba não é a extinção da vida terrestre, mas uma mudança de vida para outra.

Seus antepassados ou ancestrais são chamados de Òkù Òrun e Àgbagbà, ou ainda tem um outro título chamado de Èsa, usado para reverenciar um ancestral por parte religiosa Lesè Òrìsà - Culto aos Orixás .

O povo ioruba tem por costume cultuar seus antepassados ou ancestrais para ter o merecimento de culto, somente aqueles que faleceram em uma idade avançada, salvos algumas restrições de nascimento, e que tiveram um trabalho de boa qualidade perante a sociedade, deixado bons filhos, tendo sido uma pessoa de boa índole. Para o ioruba um casamento sem filhos não é uma boa forma de ter vivido ou seja um mal negocio.

Para eles existe um sistema de valores que tem 3 partes:
  1. OWO (Dinheiro)
  2. OMO (Filhos)
  3. ÀÍKÙ (Vida longa)

A vida longa para eles é a mais importante porque pode proporcionar o alcance das outras duas partes.

São estes valores e toda linhagem de gerações passadas que, se transformam para os seus familiares o direito de ser cultuado como antepassado ou ancestral.

Os ancestrais quando chegam ao Orun, são recebidos pelos seus antecessores acolhendo e encaminhando, fazendo-os se desprenderem dos bens materiais. Sendo, este que faleceu pertencente ao culto dos Orixás, só poder se desprender de todo bem material deixado na terra depois do asese.

Feita esta obrigação, este ancestral poderá se desprender das coisas matérias e encontrar os seus ancestrais que já se encontram no Orun, os mesmos ajudam encaminhando para um lugar de luz, fazendo com que ele ganhe grau espiritual para poder ajudar seus familiares que deixou na terra.

Quando falamos a palavra culto damos a conotação de homenagem aos espírito, assim podemos entender melhor o que falamos. Feito as obrigações do ritual fúnebre, o espírito se desprende de tudo que deixou na terra e passa por um portal que liga o Aye ( terra) ao Òrun ( céu), este portal é guardado por um guardião - Ònibòdè Òrun (guardião do céu).

Conforme a cultura Yoruba, o Òrun e dividido em 9 partes e dependendo da vida e a causa morte deste ancestral ele e colocado em uma destas 9 planos espirituais. Cada parte corresponde a um tipo de elevação espiritual.

Dependendo da vida que teve , ele pode ficar no Òrun Buruku (onde vão as pessoas que tiveram uma vida ruim, só causaram problemas, mataram, roubaram, tiveram uma vida desregrada), até o Òrun Áláfiá (onde vão os que tiveram uma vida sólida, sadia, boa,foram pessoas de boa índole).

Por isso temos de fazer por merecer que nosso espírito seja cultuado e reverenciado por nossos descendentes. Somente seremos reverenciados após nossa morte e poderemos ajudar nossos descendentes se tivermos uma vida correta. Nascimento ( Ìbi), Vida( Ìyé) e Morte( Àti Iku ), o Pós- Vida ( Ìye Lèbin Iku), o Julgamento Divino ( Idájo ti Òlòrun) e o possível retorno a vida sucessivamente ( Àtùnwa).

“Quando Olórun procurava matéria apropriada para criar o ser humano, todos os ebora partiram em busca da tal matéria. Trouxeram diferentes coisas, mas nenhuma delas era adequada. Eles foram buscar lama, mas ela chorou e derramou lágrimas. Nenhum ebora quis tomar da menor parcela. Mas Ikú apareceu, apanhou um pouco de lama e não teve misericórdia de seu pranto. Levou-o a Olódùmarè, que pediu a Òrìsàlá e a Olúgama que o modelaram e foi Ele mesmo quem lhe insuflou seu hálito. Mas Olódùmarè determinou a Ikú que, por ter sido ele a apanhar a porção de lama, deveria recolocá-la em seu lugar a qualquer momento, e é por isso que Ikú sempre nos leva de volta para a lama.”

Sendo assim, Ikú é um agente primordial que torna possível o ciclo: nascimento - vida - morte - renascimento (ìbí - ìyè - ìkú - àtúnwá).

Nota do editor da Aldeia. A página da publicação original é Órìsà Léwà. Citada por Tomeje, Ómí Tútú reproduziu mas sem um linque que, afinal, a Aldeia encontrou.
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