IstoÉ e MPF: Lula sofre +1 atentado

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Nem sítio nem triplex, o negócio agora é mansão no Uruguai

Dando sequência à novela do ‘vamos arranjar um crime para Lula’, a revista IstoÉ soltou uma ‘reportagem’ dando conta de que Lula é dono de um imóvel, mais um, desta vez em Punta Del Este, no Uruguai. A revista afirma que a força-tarefa da Lava Jato apura se a mansão pertence a ele, como investigam o sítio de Atibaia e o triplex da OAS. Segundo o semanário, ‘no modus operandi tradicional, os imóveis ficam registrados em nome de empresários amigos’. No caso em questão, estaria em nome de Alexendre Grendene Bertelle, dono da Grendene e que tem ‘um sem-número de casarões’. Afirma que Bertelle é sócio de empreendimentos bem-sucedidos no Uruguai. Diz ainda, e é textual, que ‘o esquema seria semelhante ao adotado pelo petista para as outras propriedades utilizadas por ele no Brasil’.
Só 'mesmo' em IstoÉ, "A conexão Uruguai da família Lula". Clique na imagem para ler a íntegra
A casa está vazia, e a IstoÉ esteve lá para conferir a suntuosidade do local.

As informações, segundo a revista, foram passadas ao MPF por um ‘conhecido colaborador’, responsável por denúncias que levaram à deflagração da Operação Lava Jato. E afirma que parte daí sua confiabilidade. Segundo ele, ‘vários ônibus de excursão, responsáveis por conduzir comitivas de brasileiros pela paradisíaca Punta Del Este, passam defronte a casa de Calle Timbó e dizem, sem pestanejar, que a propriedade pertence a Lula’, e que em ‘duas dessas visitas monitoradas’, duas, os turistas brasileiros ficaram revoltados ao receberem essa informação. ‘Um deles chegou a fotografar a casa de dentro do ônibus’, alerta a publicação.

Inquiridos pela revista, o procurador que investiga o caso disse que ‘se encontra em fase de coleta de provas’, mas que ele não descarta em pedir a colaboração do governo uruguaio. Na Procuradoria da República ‘a investigação está sendo tratada com total discrição’ e a avaliação geral é que se é difícil provar o que eles querem no Brasil, que dirá no Uruguai.

A revista procurou a assessoria do Lula para explicar o fato. Mas não gostou da resposta.

Os advogados de Lula, mais uma vez, soltaram nota para refutar a reportagem considerada fantasiosa. Leia a nota a seguir.

Nota

Obra de ficção patética, a reportagem A conexão Uruguai da família Lula (IstoÉ edição 28/10/2016) produziu efeito não previsto pela publicação ao ajudar a defesa do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva: é uma das mais contundentes provas de uso de táticas do lawfare que temos demonstrado – e nossa tese sai agora mais revigorada depois da consulta por nós feita nesta semana a especialistas nos Estados Unidos, que acompanharam casos semelhantes no mundo. Prevalece o entendimento de que a democracia está em risco em muitos países – Brasil incluído -, em virtude da prevalência do ativismo judicial ideológico e das práticas de lawfare, que beiram, para alguns, o facismo.

IstoÉ deixa à mostra indiscutível aliança entre procuradores, juiz e setores da imprensa na Lava-Jato, evidenciando manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política. Produziu, assim, peça perfeita para marcar a guerra jurídica em andamento no Brasil, face à inexistência de qualquer prova de que Lula tenha praticado um ilícito. É o uso da lei em sua forma ilegítima, em ambiente preparado artificialmente com o objetivo precípuo de macular a imagem e reputação de Lula e sua família, de promover um ambiente de desilusão popular, que busca dificultar sua atuação política mediante a abertura de diversos procedimentos investigatórios sem a existência de materialidade.

No embalo de informação errônea anteriormente divulgada – a de que Luis Claudio Lula da Silva seria o novo “funcionário” do Juventud de Las Piedras, time da primeira divisão do Uruguai, quando a verdade é que o filho de Lula apenas recebeu do dirigente convite para conhecer o projeto de reestruturação do clube – IstoÉ produziu sua ficção semanal. Não há também como ignorar que a perseguição a Lula sempre cresce na exata proporção da indesejada emergência de atores de campo político oposto na mira da Operação Lava Jato.

Essa ilegítima perseguição política viola o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos incorporado pela ONU, que o Brasil se obrigou a cumprir em 1992. Tal violação, dentre outras, foi submetida em julho ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que esta semana registrou o comunicado e determinou ao governo brasileiro que apresente explicações no prazo de dois meses.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
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