Expedito Barroso: Sobre a Uemasul

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Expedito Barroso: Sobre a Uemasul
Expedito Barroso, ex-diretor do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz. Foto: Arrocha Ufma
Quis a História e a sincronicidade da vida que os versos do poeta-cantador celebrando o mês em que ocorre o instante em que o sol cruza o equador celeste, equinócio que marca o início da nossa primavera, caracterizada pela igualdade entre noite e dia e intensa floração de plantas nativas, sejam também a celebração semiótica do anúncio nessa semana pelo governador e professor Flávio Dino ao do envio à Alema do Decreto que cria a Universidade Estadual do Sul do Maranhão – Uemasul. Talvez a melhor obra do seu governo para a região.

O Ensino Superior no sul do Maranhão tem sua história radicada e irradiada a partir da cidade de Imperatriz. E como politica pública municipal. Isso mesmo: através das leis municipais nºs 09 e 10 de 06 e 08 de agosto de 1973, o prefeito José do Espírito Santo Xavier, que governara apenas parte daquele ano, cria a Fundação Universidade de Imperatriz – Fuim, aletrada para Faculdade de Educação de Imperatriz – FEI. A Lei Municipal nº 37 de 1974, modifica a denominação para Faculdade de Ensino Superior de Imperatriz – Fesi.

Por decreto estadual, a FesiI é incorporada à Federação de Escolas Superiores do Maranhão em 1979.
Com a Lei Estadual que a partir da Fesm criou a Universidade Estadual do Maranhão em 1981 passamos a ser parte integrante da Uema, como Unidade de Educação, e a partir de 1994 como Centro de Estudos Superiores de Imperatriz, Cesi-Uema.

Até 31 de dezembro deste ano como consta no decreto do Governador.

Decreto que será votado nos próximos dias pela Alema, tendo como relator o também professor Deputado Estadual Marco Aurélio, licenciado pela Uema em Ciências Habilitação em Matemática, que proferirá um voto a figurar em destaque nos anais daquela Casa.

Ouso dizer, pela inequívoca importância sócio-histórica, que o Decreto terá aprovação in totum pelo plenário da Casa.

Nestas quatro décadas, como IES e trinta e cinco anos como Uema, e dadas as condições, programas e projetos postos, foram milhares os docentes formados na nossa IES a partir de Imperatriz. Nos últimos 21 anos, iniciamos a geração e difusão de pesquisa e extensão.

O registro histórico grava que honramos, contribuímos e demos o que de melhor temos em talento e competência com a Uema como uma IES necessária para o Maranhão.

Mas, enfim chegou a sincronicidade para o grande salto adiante na Educação Superior Pública Estadual no Sul do Maranhão. Materializado in legis na criação da Uemasul.

A sensibilidade histórico-crítico-pedagógica do governador, para além de um compromisso de campanha – desde 2010 e anseio de toda a região, se alicerça, sobretudo na compreensão mútua de uma Universidade nova, protagonista e que seja mediadora na sociedade e força de vanguarda na discussão, elaboração e implantação da agenda da politica publica do desenvolvimento regional. Com princípios no respeito à diversidade da vida, à justiça e à inclusão social.

Uma região que possui as cabeceiras de importantes bacias hidrográficas do nosso Estado, ecossistemas considerados como áreas prioritárias para conservação, Terras Índigenas de várias etnias dos nossos povos originários, centenas de projetos de assentamento da reforma agrária, pecuária com manejo em base biotecnológica, uma agricultura industrial sobretudo com soja e milheto, áreas de florestas industriais para indústria de celulose e polo siderúrgico de ferro gusa e aço, jazidas de gesso e basalto, UH de Estreito, prestação de variados serviços, dentre os quais a formação de profissionais. E os impactos sobre a sociobioidiversidade respectivos. Sobretudo na distribuição do acesso a bens e serviços, empoderamento econômico e conservação e preservação de ambientes naturais.

Nesse cenário é que a Uemasul deve, e tem a missão de se configurar numa força importante dessa agenda de desenvolvimento regional.

Criar uma IES de categoria de Universidade é uma tarefa de complexidade gerencial e burocrática que requer esforço, muitos esforços. Criar uma Universidade desmebrando de uma já existente, como é o caso, além dos esforços mencionados, requer compreensão, colaboração, cooperação e solidariedade, tão necessários nesses processos de adição.

Seremos agora duas Universidades a exercer a missão no desenvolvimento das potencialidade do Estado.

É imperioso avançar na estruturação da UemasulL, estrutura organizacional, quadro funcional, Adminstração, Graduação e formação de profissionais de nível superior, Extensão Universitária, Pesquisa e Pós-Graduação, Qualificação Docente e a logística material e humana de implantação dos condicionantes para desenvolvimento dessas competências.

O estudo criterioso, técnico, multidiverso e com os vários atores da politica acadêmica do Estado, estimará o que é nevrálgico para implantação e consolidação de uma politica publica: o orçamento público com suas fontes de receita e estimativas de despesas correntes e de capitais.

Definido na nossa Constituição no art. 272 que não menos que 20% dos 25% da Receita Corrente Líquida sejam repassados para manutenção do Ensino Superior, o sine qua non do processo da criação e implantação da Uemasul no formato e missão pretendidos, é estimar com otimização gerencial quanto daquele percentual será imprescindível e suficiente para sua implantação e manutenção num primeiro cenário, e para sua manutenção num cenário de horizonte médio.
Sem deixar de considerar outras fontes de receitas estaduais, federais, convênio e de prestação de serviços, por óbvio.

Finalizo, neste artigo, minha contribuição ao debate afirmando que a História é contada pelos que ousam ser palco na caminhada da existência, como tem feito o governador Flavio Dino. Seu legado e agradecimento de todos daqui será perene. Ainda, com este ato proporciona à comunidade acadêmica do Sul do Maranhão a sincronicidade histórica do perene respeito e honra à Uema, assim como a oportunidade de transformarmos em ação os versos do querido poeta César Teixeira: “[...] e quem nos ajudará a não ser a própria gente, hoje já não se consente esperar [...]”.

Expedito Barroso

Nota do editor da Aldeia: O autor, Expedito Barroso, 49, ex-secretário do Meio Ambiente e da Infra-estrutura da prefeitura de Imperatriz, ex-diretor eleito e reeleito do Cesi da Uema, é biólogo, professor da Uema e do CE Graça Aranha da redes estadual de ensino.
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