Edmilson não reconhece derrota em Belém

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Investigado por montar 'curral', tucano é reeleito em Belém
Em campanha marcada por acusações de uso da máquina, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), derrotou o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL), que não reconheceu o resultado.

Imagem: Capa do Twitter de Edmilson Rodrigues do PSOL
"Faço aqui um apelo à Justiça do Pará. Que tenha celeridade e faça Justiça ao povo de Belém", afirmou Edmilson, no início da noite deste domingo (30).

Apuradas todas as urnas, o tucano obteve 52% dos votos válidos, contra 48% para o candidato socialista. Assim, o PSOL perdeu nas três cidades que disputou segundo turno –Rio e Sorocaba, além da capital paraense.

A confirmação da reeleição de Zenaldo ainda depende de decisão judicial por causa de processos judiciais por uso da máquina. No último dia 19, a Justiça Eleitoral cassou, em primeira instância, o registro de sua candidatura por ter divulgado vídeos autoelogiosos na página da Prefeitura no Facebook.

O tucano obteve uma liminar para disputar o segundo turno e recorreu da decisão. Ele afirma que a perícia dos vídeos o inocentará e que a cassação do registro foi uma punição "desproporcional".

Curral eleitoral

Mas o processo mais grave contra o prefeito envolve o desligamento (distrato), no primeiro semestre, de 308 funcionários da ESF (Estratégia Saúde da Família), programa da Secretaria Municipal de Saúde de primeiro atendimento em bairros pobres.

Segundo investigação do Ministério Público Estadual (MPE), eles foram substituídos por pessoas da confiança do prefeito e de vereadores com o objetivo de reforçar a campanha eleitoral.

O operador das substituições, segundo o MPE, era o Luiz Moraes, presidente do Conselho Municipal de Saúde e atualmente afastado do cargo por decisão judicial.

Documentos apreendidos e depoimentos demonstrariam que Moraes recebia currículos de indicações políticas e que ele tinha o mapeamento das vagas disponíveis, praticando atos de gestão "típico de departamento de recursos humanos".

Para o MPE, as substituições visam "beneficiar o atual prefeito, com pessoas fieis ao projeto político de perpetuação do poder, dentro de uma logística de 'curral eleitoral'".

Uma primeira liminar determinou a reintegração dos funcionários dispensados, mas uma nova decisão judicial suspendeu temporariamente as recontratações, sob o argumento de que aumentariam os gastos da prefeitura.

Procurada pela Folha, a Secretaria de Saúde, informou, em nota, que todos os funcionários dispensados tinham contratos vencidos ou com irregularidade.

A secretaria não respondeu à pergunta enviada por escrito sobre como se deu o processo seletivo dos novos funcionários nem o número de funcionários da ESF.

Fabiano Maisonnave, Folha de São Paulo

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