Após expulsão do MBL, escolas são desocupadas

Publicidade
“… tô passando aqui para dizer que hoje o Cesmag foi desocupado. Não significa que nossa luta acabou. Vamos em busca de outros meios de resistência!”, escreveu no grupo de WhatsApp “Coalas do Sul” a estudante Ana Júlia, 16 anos, que esta semana emocionou o país e o mundo ao defender na Assembleia Legislativa do Paraná a legitimidade da ocupação de escolas como forma de luta pela melhoria da educação. Cesmag é a sigla do Colégio Estadual Senador Manuel Alencar Guimarães, onde ela estuda, em Curitiba.
Beto Ricga, governador do Paraná perdeu mais uma batalha contra estudantes do PR. Imagem: Esmael Moraes
Beto Ricga, governador do Paraná perdeu mais uma batalha contra estudantes do PR. Imagem: Esmael Moraes
A declaração de Ana Júlia ocorreu horas após os secundaristas expulsarem os “tiozinhos” fascistas do MBL — Movimento Brasil Livre — que queriam desocupar à força várias escolas em Curitiba e no interior do Paraná. Não obtiveram êxito em nenhum. Pelo contrário, foram colocados para correr pela população e comunidade escolar, a exemplo do que ocorreu na noite de ontem no Colégio Pedro Macedo, no bairro Portão.

O MBL se apresentava como se fosse milícia privada do governador Beto Richa (PSDB) e queria fazer “justiça” com as próprias mãos, em nome do fundamentalismo de extrema-direita, enquanto Ministério Público e Defensoria Pública atestavam a legitimidade das ocupações (abaixo, assista ao vídeo de Julio Cezar Soares).


O Cesmag integra a lista de 25 escolas que a juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonese, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, determinou a desocupação a pedido do governador tucano.

No Colégio Estadual do Paraná, o CEP, o maior do estado, houve resistência ontem (28) à reintegração de posse. Os estudantes se recusaram a cumprir a decisão judicial, o que gerou impasse e ameaça de invasão do BOPE e tropa de choque da PM. Órgãos como Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente e de Prerrogativas Profissionais da Advocacia da OAB-PR intervieram para evitar a repetição de 29 de abril, do ano passado, quando 213 educadores e servidores foram massacradas com bombas, cães, spray de pimenta, cassetetes, jatos d’água e tiros de bala de borracha no Centro Cívico.

Antes de concluir a questão do CEP, abro um parêntese para contar que os estudantes secundaristas sempre tiveram protagonismo na História do país. Eles foram fundamentais para a expulsar os franceses que haviam invadido o Brasil colônia, por volta do ano de 1710. Fecho o parêntese.
Pois bem, na madrugada deste sábado (29) os estudantes do CEP decidiram em assembleia que também desocuparão a escola. Eles rejeitaram a proposta do Ministério Público e do governo do estado de adiar a desocupação por 10 dias. “Nós não queremos ser protagonistas. A gente não vai ficar com o nome principal”, comunicaram.


Na prática, as desocupações terminam neste fim de semana. Uma ou outra escola, ainda sem mandado de reintegração, deverão permanecer ocupadas. Mas a tendência é que todas sejam restabelecidas já a partir de segunda-feira (31), data em que os professores realizam assembleia para decidir se voltam ou não ao trabalho depois de 15 dias de greve.

Portanto, as escolas serão desocupadas, porém, continuarão abertas as feridas da violência do Estado, da MP 746 (reforma do ensino) e da PEC 241 (agora PEC 55 no Senado, que congela investimentos na educação por 20 anos).

Por fim, parabéns a todos os estudantes secundaristas por sua luta!

Assista ao vídeo do UOL no momento em que integrante do MBL é desmascarado:


www.esmael.com.br

Nota do editor da Aldeia: Acompanhe a programação de hoje na Uema ocupada em Imperatriz-MA.
Publicidade