Setembro Verde já começou

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O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO/MA), dá início às diversas atividades referentes ao ‘Setembro Verde’, mês dedicado à campanha nacional de incentivo a doação de órgãos, tecidos e córnea. A abertura da campanha ocorreu na manhã desta quinta-feira (1º), às 9h, no auditório do Complexo de Comunicação da Assembleia Legislativa do Maranhão. O principal foco do ‘Setembro Verde’ é reduzir o tempo de espera por transplantes de rins, fígado, tecidos e córnea no estado.

Na cerimônia de abertura da campanha, ocorreu a apresentação do coral Canta Geral do Hospital Tarquínio Lopes Filho, e logo em seguida, a exposição das metas e ações programadas para este mês pela CNCDO/MA. Ao longo de todo este mês serão promovidas ações para conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos. Para se tornar um doador de órgãos, basta comunicar a família. Inclusive, este é o tema da campanha: “Minha família já sabe! Sou doador de órgãos”, já que, no Brasil, a doação é consentida e somente pode ser concretizada diante da autorização da família. A doação só ocorre com autorização dos parentes mais próximos. Por isso, a campanha ressalta a importância de as pessoas conversarem com seus familiares e expressarem o desejo de se tornarem doadores após a morte.

A abertura da campanha ocorreu na manhã desta quinta-feira (1º), às 9h. Foto: Francisco Campos
Evento aconteceu no auditório do Complexo de Comunicação da Assembleia. Foto Francisco Campos
O secretário adjunto de Atenção Básica e Vigilância Sanitária, Marcelo Rosa, considera válida a mobilização durante este mês como forma de quebrar o preconceito que ainda existe em torno da doação de órgãos e tecidos. “Não podemos deixar que o preconceito impeça de salvar vidas, para isso, a informação correta precisa ser repassada por meio de ações como esta e também com o apoio da imprensa para que possamos reduzir o tempo de espera nas filas”, disse o secretário.

Atualmente, a negativa familiar é o principal motivo para a não doação. As ações da campanha incentivam o cidadão a declarar para seus familiares e amigos a intenção de ser um doador. Podem ser doados rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e também tecidos, como ossos, tendões, pele, córneas e valvas cardíacas, ou seja, um único doador pode salvar até dez vidas.

A médica nefrologista e coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO/MA), Maria Inês Gomes de Oliveira, esclarece que a campanha é realizada durante todo o ano por meio da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), porém é reforçada no ‘Setembro verde’ em virtude do alto índice de recusa familiar. “A fila de espera é muito grande, é preciso mobilizar e sensibilizar as pessoas sobre a importância deste ato que pode salvar uma vida. Este mês vamos trabalhar bastante para quebrar a recusa familiar que ainda é muito forte, dificultando a chegada de uma doação a quem precisa”, afirmou a coordenadora.

A programação da campanha inclui mais de 30 palestras nas unidades de saúde e instituições acadêmicas que vão destacar os aspectos relevantes da doação. A mobilização culminará em uma caminhada na Avenida Litorânea, no dia 24 de setembro.

Transplante

Para o transplante de rins, o paciente é avaliado pelo médico nefrologista, que por meio de exames de sangue, urina e imagem, considera ou descarta a necessidade do transplante. Como a doença renal crônica é silenciosa, muitas vezes, os pacientes só a descobrem em fases avançadas. Nesse caso, o paciente começa a fazer hemodiálise ou diálise. E, posteriormente, é inscrito na lista de transplante de rim.

Nos transplantes de córneas, a indicação é feita quando a transparência ou a curvatura da córnea estão alteradas, não permitindo uma boa visão. Ele consiste na substituição da córnea alterada por uma córnea doadora que mantenha boas condições.

No geral, existem dois tipos de doadores. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Neste caso, pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores; pessoas sem grau de parentesco, somente com autorização judicial.

No caso do transplante de rins, as funções renais podem ser realizadas de forma normal por um único rim, como se observa em pessoas que já nascem apenas com um rim, ou em vítimas de acidentes com perda de um dos rins. O risco dos doadores desenvolverem doença renal é a mesma de quem nunca fez a doação.

Pode ser retirado de um doador falecido órgãos como o coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão. Os órgãos doados são direcionados aos pacientes aguardando o transplante em lista única, definida pela Central de Transplantes e controlada pelo Ministério Público.

Vanessa Moreira
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