Adalberto: pesquisa eleitoral manipulada

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No dia 7 de outubro de 2012, últimas eleições municipais, o jornal “O Progresso”, de Imperatriz, publicou uma matéria com o título “Jornal divulga nota e reconhece erro em divulgação de pesquisa que aponta Nelson Horácio como líder em Porto Franco”. Tratava-se de uma pesquisa eleitoral feita pelo Instituto Gauss, de Palmas, publicado em jornal de São Luís (MA), com claros elementos de manipulação de dados e fraude, em que dava larga margem de frente a Nélson Horácio em desfavor de Aderson Marinho. Diante da comprovação das irregularidades, o então juiz eleitoral Armindo Reis proferiu sentença contra esse Instituto e os contrantes, e afirmou que essa pesquisa eleitoral “tenta influenciar a escolha de eleitores propagando a falsa ideia de vantagem na disputa eleitoral”. Aderson Marinho ganhou com cerca de 20% à frente de Nélson Horácio.

Hoje, a oito dias de novas eleições municipais, deparo-me com a divulgação de uma pesquisa feita pela mesma Gauss, em larga manchete da primeira página do jornal “O Progresso”, sobre a disputa eleitoral em Imperatriz. Os índices me soam estranhos, pois nesta mesma semana tinha tido acesso a uma pesquisa feita por um dos principais institutos de pesquisa do país, mandada fazer por investidores paulistanos que desejam investir na região.

Passei a confrontar o gráfico de primeira página com os dados dos quadros que apresentam os resultados das perguntas formuladas às pessoas pesquisadas. Sem muito esforço, deparei-me com uma grosseira manipulação de dados, critérios e método que alimentaram a demonstração gráfica que está sendo divulgada. Coisa mesmo de gente amadora, que atenta contra o conhecimento e a percepção das pessoas e conta por certo que se engula como verdadeira uma montagem grotesca.
Vamos aos fatos (os dados):

Na primeira página, o gráfico mostra o seguinte: Ildon Marques, 33,73%; Rosângela Curado, 28,75%; Assis Ramos, 21,49%; Ribinha Cunha, 13,66%; Edmilson Sanches, 1,78%; Sandro Ricardo, 0,59%.

Vamos à questão-chave: de onde foram extraídos esses índices?

Para responder a isso, consultemos os cinco quadros mostrados na página C1-3 da mesma edição de “O Progresso”.
  1. O primeiro quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses nomes você votaria para prefeito ode Imperatriz?” (consulta indutiva). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 28,40%; Rosângela Curado, 24,20%; Assis Ramos, 18,10%; Ribinha Cunha, 11,60%; Edmilson Sanches, 1,50; Sandro Ricardo, 0,50%; Indecisos, 12,40%.
  2. O segundo quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria para prefeito ode Imperatriz?” (consulta espontânea). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 24,60%; Rosângela Curado, 20,20%; Assis Ramos, 14,70%; Ribinha Cunha, 8,50%; Edmilson Sanches, 0,50; Sandro Ricardo, 0,30%; Indecisos, 31,20%.
  3. O terceiro quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses candidatos você votaria para prefeito de Imperatriz?” (consulta SEM o nome de Ildon Marques, considerando que ele não seria candidato). O resultado é o seguinte: Rosângela Curado, 28,90%; Assis Ramos, 24,10%; Ribinha Cunha, 17,00%; Edmilson Sanches, 2,40; Sandro Ricardo, 0,70%; Indecisos, 20,10%.
  4. O quarto quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses candidatos você votaria para prefeito de Imperatriz?” (consulta SEM o nome de Rosângela Curado, considerando que ela não seria candidata). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 33,23%; Assis Ramos, 20,92%; Ribinha Cunha, 15,02%; Edmilson Sanches, 2,40; Sandro Ricardo, 0,90%; Indecisos, 20,92%.
  5. O quinto quadro mostra o índice de rejeiçãoo de cada candidato. O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 19,82%; Rosângela Curado, 19,02%; Assis Ramos, 20,92%; Ribinha Cunha, 8,71%; Edmilson Sanches, 6,91; Sandro Ricardo, 6,91%.

Respondendo a questão-chave: de onde foram extraídos os índices do gráfico?
  1. Os 33,73% de Ildon Marques foram pinçados da consulta em que Rosângela Curado não aparece como candidata (só que com uma distorção: o índice no quadro não é 33,73%, e sim 33,23%);
  2. Os 28,75% de Rosâangela Curado foram extraídos da consulta em que Ildon Marques não aparece como candidato (há também uma distorção: o índice no quadro não é 28,75%, e sim 28,90%);
  3. Os 21,49% de Assis Ramos foram extraídos da consulta em que Rosângela Curado não aparece como candidato (outra distorção: o índice no quadro não é 21,49%, e sim 20,92%);
  4. Os 13,66% de Ribinha Cunha foram inventados, pois em nenhum quadro ele tem um ínice muito aproximado a esse; o mais próximo é o cenário sem Rosângela Curado, em que ele aparece com 15,02%; Os índices dados a Edmilson Sanches (1,78%) e Sandro Ricardo (0,59%) também não existem nos quadros mostrados.


Análise

Como se vê, o gráfico demonstrativo para divulgação é um cenário inexistente na pesquisa, em que os índices dados para os principais concorrentes são fruto de cenários diferentes, em que um ou outro não concorrem, ms mostrados como se viessem de um confronto de opinião pública, com o claro intuito de manipular e fraudar o resultado, de acordo com o interesse de quem paga ou divulga. É um acinte e um crime eleitoral evidente.

E antes que se queira justificar, dizendo que o demonstrado é diferente porque se considerou apenas os “votos válidos”, acrescento que em pesquisas eleitorais não existem votos válidos ou não válidos (isso só se dá na apuração dos votos). O que há são apenas os eleitores ainda indecisos e os que pretendem votar nulo ou branco e que devem ser mostrados, pois indicam o quanto há de margem para alteração do resultado. Os indecisos, que são ainda um grande contingente, como se pode ver nos resultados dos quadros apresentados, se desconsiderados, daria também números bem diferentes dos mostrados no gráfico.

Por dizer, cabe dizer que o Instituto Gauss, que realizou essa pesquisa, é uma empresa inidônea, useira e vezeira desses métodos. Assim como fez em Porto Franco, em 2012, fez em Balsas, no mesmo ano, quando também foi condenada pela Justiça Eleitoral do Tocantins por irregularidades de pesquisa eleitoral em Dianópolis, dentre outras. Isso sem contar que não é isenta; tem partido e faz doação aos seus candidatos, e por esse motivo foi condenada pelo TSE por fazer doações acima do limite de sua renda.

Nestes tempos, em que se fazem discursos e pregações de honestidade e eleições limpas, não se pode deixar fraudes como essa passar em branco. Mas não tenho dúvida que aparecerão quem defenda esse engodo.

Adalberto Franklin

Notas do editor da Aldeia
a) A referida pesquisa está registrada no TSE com número MA-04710/2016. O Instituto Gauss afirma ter entrevistado 1000 pessoas entre os dias 8 e 9 de setembro deste ano. Considerando o intervalo de confiança de 95%, a margem de erro é de 3% para mais ou para menos. O Progresso pagou R$11.500,00 pelos números.

b) O autor, Adalberto Franklim, escritor e intelectual, presidiu a Academia Imperatrizense de Letras e foi candidato a prefeito de Imperatriz em 2012.
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