Taxista confirma assassino de bebê indígena

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Três depoimentos prestados ontem na delegacia de Imbituba por testemunhas da morte do menino indígena Vitor Pinto, de 2 anos, confirmam que o suspeito detido é o autor do homicídio. O grupo foi ouvido pelo delegado responsável pelo caso, Raphael Giordani, titular do município, que segue com as investigações.

Um taxista, apontado como testemunha chave, disse não ter dúvidas que o rapaz de 23 anos que está preso é o assassino do menino. Outros dois policiais militares que levaram o suspeito para a delegacia na madrugada do dia 1º também foram ouvidos.

Os policiais relataram que o jovem estava na praia minutos antes de ser preso e chegou a falar para um grupo de pessoas que queria ser detido e teria ligado para a polícia para avisar que havia matado o menino. O delegado acrescentou que foi apresentado um áudio pelos policiais em que o suspeito confirma a autoria do homicídio.

O mandado de prisão temporária segue até o fim deste mês, período em que deve ser encerrado o inquérito. Caso isto não ocorra, Raphael afirma que poderá prorrogar por mais 30 dias. “Acredito que, antes de terminar o prazo inicial, todo o material deverá estar concluído e representaremos pela prisão preventiva do suspeito”, declara o delegado.

Para a autoridade policial, por enquanto o investigado é indiciado por homicídio doloso qualificado e será preciso reunir mais provas para fechar o crime. “Os esforços seguem para esclarecer a autoria. Os indícios não apontam motivação por preconceito étnico. Nenhuma justificativa para este crime irá amenizar a crueldade”, finaliza Raphael.

O acusado

O suspeito, 23 anos, é natural de Imbituba e foi detido no dia seguinte ao crime. Ele está preso, provisoriamente por 30 dias, na Unidade Prisional Avançada (UPA). O rapaz tem antecedentes criminais por violência doméstica. Os pais do suspeito foram ouvidos e, conforme o delegado, mostraram-se relutantes em reconhecer o filho nas imagens gravadas pelas câmeras de segurança da rodoviária. Ambos afirmaram estar abalados.

A morte do menino

A criança foi assassinada há oito dias, por volta das 12 horas, quando se alimentava no colo da mãe. Os dois estavam à sombra de uma árvore, próxima à rodoviária. O suspeito aproximou-se e cortou o pescoço do menino, que morreu na hora. O garoto era de uma família de índios kaingangues e vivia na aldeia Condá, de Chapecó. Ele acompanhava os pais, que durante o verão assim como muitos indígenas, deslocam-se para o litoral para vender artesanato.
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