Imperatrizense seguiu para SP em busca de trabalho

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Thaila volta às aulas sem uniforme


Lucas Catanho, A Cidade

Ribeirão Preto, SP. Thaila Matos dos Santos, 7 anos, está entre os 50 mil alunos de 108 escolas da rede municipal que ainda não receberam os uniformes, mesmo com o início das aulas há quase três semanas – Emefs abriram os trabalhos em 3 de fevereiro e as Emeis, um dia depois.

A prefeitura não determinou prazos, mas informou que a distribuição aos alunos será feita em breve.
A demora é motivo de reclamação por parte dos pais dos estudantes. Mãe de Thaila, a manicure Gicélia de Jesus Matos, 32, nem teve a opção de utilizar o uniforme do ano passado.

“Morávamos em Imperatriz, no Maranhão, e viemos neste ano para Ribeirão”, explica. Agora, todos os dias, Gicélia tem de providenciar roupas para a filha cursar o segundo ano na Emef Prof. Jarbas Massullo, no Parque São Sebastião.

Thaila
A aluna Thaila, de 7 anos, com a mãe, a manicure Gicélia de Jesus Matos: “morávamos no Maranhão e nem poderemos usar o uniforme do ano passado”
“Além da praticidade de não ter de usar roupas diferentes todos os dias, o uniforme identifica a criança e, com isso, proporciona mais segurança. Perguntei na escola quando os uniformes vão chegar, mas não me deram previsão. Estamos esperando”, completa.

A caixa Júlia Barioni da Silva, 27, também aguarda os uniformes para o filho Kauã, 6, aluno do primeiro ano na Emef Júlio César Voltareli, no Parque dos Servidores.

“Os professores falaram para usar o uniforme do ano passado, mas as roupas deveriam vir antes de as crianças voltarem para a escola. Já se passaram duas semanas do início das aulas”, critica Júlia.

A dona de casa Ana Paula Lima Pereira, 26, está na expectativa pelos uniformes para a filha Eloá Cristina, 3, que está no maternal na Emei Teresa Hendrica Antonissen, no Jardim Aeroporto.

“O uniforme demora para chegar e a qualidade é ruim. Minha filha recebeu quatro camisas e dois shorts no ano passado e não dá para aproveitar nada para este ano, mancha muito”, reclama.

A dona de casa Gislaine do Carmo, 30, tem três filhos que estudam na Emef Prof. Honorato de Lucca, no bairro Salgado Filho 1.

Ela não conseguirá reaproveitar as roupas do ano passado enquanto os uniformes não chegam. “O uniforme é branco e encarde muito, não vai dar para aproveitar nada. Enquanto isso, tenho muita roupa para lavar, porque é uma por dia para cada um dos três”, conclui.

Pais recebem lista de material escolar

Além do uniforme, pais reclamam que os filhos também não receberam material escolar. A Prefeitura informa que os objetos - cadernos, lápis, borracha e outros - podem ser adquiridos com a direção da escola.

No entanto, pais ouvidos pelo A Cidade declararam que tiveram de comprar material escolar para os filhos que estudam na rede porque eles receberam lista de material escolar.

A dona de casa Gislaine do Carmo gastou R$ 475 com material para os três filhos. “Também comprei mochilas, mas tem criança que não tem condição nem de ter uma bolsa.” A manicure Gicélia de Jesus Matos diz que gastou R$ 80 porque não comprou tudo o que tem na lista de material. “Eles pedem muita coisa.”

Já a dona de casa Ana Paula Lima Pereira gastou R$ 65 na compra do material para a filha de 3 anos, o que inclui também creme dental e escova. “Tive que fazer sacrifício, mas não dá para ficar sem”, conclui.

Entrega será em ‘breve’

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informa que aguarda o início do ano letivo para que as escolas façam um levantamento preciso da quantidade e do tamanho dos uniformes.

“Esse procedimento está sendo realizado durante este mês e em breve todos os alunos da rede municipal receberão os uniformes”, diz. A pasta, no entanto, não determinou prazos.

Sobre o material escolar, a secretaria informa que o kit é oferecido somente pelas escolas estaduais. “Nas escolas municipais, os alunos têm o material escolar básico disponível junto à direção da escola, tais como caderno, caneta, lápis, borracha, régua, lápis de cor, entre outros, além do material didático, enviado pelo MEC”.

A secretaria lembra que os materiais ficam à disposição nas escolas, junto à direção e aos professores, e podem ser solicitados por qualquer aluno da rede municipal. “Não há qualquer tipo de restrição”, conclui.

Estado promete kit escolar para o início de março

O A Cidade mostrou, na semana passada, que os kits de materiais escolares distribuídos aos cerca de 70 mil alunos de 66 escolas estaduais em Ribeirão serão entregues com atraso.

As aulas começaram em 2 de fevereiro, mas a diretora regional de Ensino, Simone Maria Locca, informou que os materiais seriam entregues até o início de março.

O kit é composto por três cadernos, um caderno de artes, duas colas, três apontadores, seis lápis, duas canetas, três borrachas e uma régua.

Além da falta dos kits, pais de alunos reclamaram que em algumas escolas faltam livros didáticos, como na Orlando Vitaliano, no Quintino 1, e na Paulo Gomes Romeo, no bairro homônimo.

A dirigente regional de ensino, Simone Locca, afirmou que os livros didáticos serão entregues até a primeira quinzena de março. “A maioria é aproveitada dos anos passados, o que chegará até esse prazo é a reserva, visto que alguns materiais se perdem”, conclui.
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