Farc inicia cessar-fogo unilateral e ilimitado

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RTP e Lusa

Lisboa, Portugal. O movimento de guerrilha colombiano Farc iniciou hoje um cessar-fogo unilateral, considerado um passo fundamental nas negociações de Paz com o governo, mas rodeado de incertezas, com a guerrilha a ameaçar quebrá-lo caso seja atacada pelo exército.

Farc

"Hoje, o cessar-fogo unilateral e ilimitado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começou. Espero que se torne bilateral e definitivo, para assim podermos por fim a uma guerra que dura há mais de 50 anos", afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, numa cerimónia em La Guajira, no nordeste do país.

Juan Manuel Santos, que em declarações anteriores qualificou o cessar-fogo como "um gesto positivo na direção certa", acrescentou ter esperança que o gesto possa facilitar as negociações de Paz que decorrem em Havana, Cuba.

Numa mensagem divulgada antes de o cessar-fogo começar, as Farc saudaram a postura de Juan Manuel Santos, e pediram-lhe que "não se atravesse no desejo das pessoas em conhecerem o seu país sem o barulho de bombas e de armas de fogo".

As Farc fizeram saber que, sob cessar-fogo, só irão combater, se forem atacados primeiro.

O movimento de guerrilha Farc declararam cessar-fogos no Natal nos últimos dois anos, mas este é o primeiro sem data de término.

As conversações de paz, que decorrem desde final de 2012 em Havana, já permitiram acordos parciais sobre desenvolvimento rural, combate ao tráfico de droga e participação da guerrilha na vida política após um acordo geral.

Após a conclusão do capítulo sobre as compensações às vítimas, permanecem por abordar o fim efetivo do conflito e as modalidades de ratificação de um eventual acordo de paz global.

O conflito na Colômbia, que envolveu o exército, as guerrilhas marxistas das Faerc-EP e do guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN), paramilitares de extrema-direita e bandos criminais com ligações ao narcotráfico provocou nos últimos 50 anos, segundo os números oficiais, mais de 220.000 mortos e cinco milhões de deslocados.

Fundadas na década de 1960 na sequência de uma rebelião camponesa contra a contínua repressão governamental, as Farc permanecem a mais importante força de guerrilha em atividade, com pelo menos 8.000 combatentes sobretudo disseminados nas áreas rurais.
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