Marta Suplicy pede demissão do Ministério da Cultura

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O Tempo

Belo Horizonte, MG. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, enviou na manhã desta terça-feira (11), sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff. A carta foi protocolada às 10h desta terça-feira, na Casa Civil, e contém críticas veladas ao governo de Dilma Rousseff, de quem é desafeta.

Marta Suplicy
Marta Suplicy tem mandato no Senado até 2018
Ela escreve, por exemplo, que enfrentou "inúmeras carências orçamentárias" no Ministério da Cultura. E também disse que "todos os brasileiros" desejam que Dilma "seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo", dando a entender que a equipe atual carece de credibilidade.

Marta havia confirmado que sairia do ministério na semana passada, no dia 6, para retornar ao Senado Federal. “Me planejei muito bem para dois anos (como ministra), eu vou voltar pro Senado, estou muito contente em voltar. E acho que é um momento político importante, o meu Estado também necessita de um senadora neste momento”, disse ela, naquele dia.

Marta assumiu a pasta da Cultura em 2012 no lugar da ex-ministra Ana de Hollanda. A petista tem mandato no Senado até janeiro de 2019.

Com Marta, alguns auxiliares também estão deixando a pasta, caso do diretor da Cinemateca Brasileira, Lisandro Nogueira, que se demitiu na última terça-feira. Para o lugar da petista são cotados o ex-ministro Juca Ferreira, que comandou a campanha de Dilma, e o atual presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos.

Incidente

A saída de Marta da equipe de Dilma já era esperada para as próximas semanas após as eleições.
Contra ela, pesava um jantar que ofereceu a partidários do lançamento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Marta foi porta-voz do "volta Lula".

Ela exonerou os petistas do ministério para dar lugar ao PC do B. Um incidente, porém, foi decisivo para selar seu destino. Durante uma carreata na zona sul de São Paulo, Marta se irritou ao saber que seu suplente no Senado, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), era quem ocuparia o caminhão reservado à presidente Dilma Rousseff. Para Marta, estava destinado uma vaga no segundo carro alegórico.

O incidente ocorreu em setembro, em Santo Amaro, reduto de Antônio Carlos. Marta subiu no carro de Dilma mesmo assim. Antes bateu boca com o presidente do PT, Rui Falcão, dizendo que ela é quem tem voto na região, não o presidente do partido.

Falcão – que já foi fervoroso aliado de Marta – levou o caso ao conselho da campanha de Dilma. Disse que a situação era insuportável.

Os petistas se queixavam ainda da tímida participação de Marta na campanha eleitoral. Segundo eles, uma atuação mais apaixonada poderia ter ajudado Dilma em São Paulo, Estado em que perdeu para o então candidato Aécio Neves (PSDB).

Serra

De volta a seu gabinete no Senado, Marta deverá ser vizinha de José Serra (PSDB), senador eleitor por São Paulo, em uma das alas mais nobres da Casa.

O tucano herdou o escritório de Eduardo Suplicy (PT), que perdeu a cadeira na Casa para Serra após 24 anos de mandato. Nos últimos anos, o petista dividiu os corredores da Ala Dinarte Maris com Marta Suplicy.

Leia na íntegra da carta:
Brasília, 11 de novembro de 2014.

À Excelentíssima Senhora Presidenta da República Dilma Rousseff,

Presidenta Dilma,

Agradeço a honra a mim concedida com o convite para ser Ministra de Estado da Cultura do Brasil nos últimos dois anos de seu governo. Encerro hoje a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual apresento meu pedido de demissão.

Ao lado de minha valorosa equipe, à qual sou muito grata, tivemos a possibilidade de construir caminhos e encaminhar soluções para nossas sete importantes instituições e fundações coligadas, assim como também pudemos apresentar um país diferente no exterior.

Em meio a inúmeras demandas e carências orçamentárias do Ministério da Cultura, focamos nosso trabalho em valores que nos são preciosos: inclusão da população na produção de cultura e ampliação do acesso aos bens culturais.

Para que o legado de Vossa Excelência viesse a ser sólido, nos dedicamos a viabilizar a aprovação, com êxito, de um conjunto de leis por anos pendentes no Congresso, que possibilitaram criar a coluna vertebral de políticas de Estado da Cultura.

Em dois anos aprovamos o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura, a Lei da Cultura Viva, o Marco Civil da Internet, a Lei de fiscalização do Ecad, a PEC da Música, além de ter enviado à Casa Civil, onde aguardam encaminhamento, o Direito Autoral e a Lei da Meia Entrada.

Por esta oportunidade de servir nosso país nesta função tão especial, de conhecer melhor e conviver com o povo da cultura, estar mais próxima de nossos artistas e raízes profundas, lhe sou grata.

Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera.

Volto para o Senado Federal para representar o Estado de São Paulo, por mais quatro anos, com muito vigor, energia e com o firme propósito de fazê-lo com amplitude, seriedade e grandeza. Na condução do Ministério da Cultura, e como Senadora licenciada pelo PT, não me apequenei, o fiz com coragem e determinação. Não fugi à responsabilidade de meu compromisso público ao me posicionar e ter feito o que acreditava ser o melhor para o Brasil e para o povo brasileiro.

Marta Suplicy
Senadora pelo Estado de São Paulo (2011/19)
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