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FeliS homenageia personalidades maranhenses

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Carolina Nahuz

São Luís, MA. A oitava edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS), promovida pela Prefeitura de São Luís, faz este ano um tributo especial a três importantes personalidades da literatura maranhense e brasileira: a pesquisadora Mundinha Araújo e os jornalistas e escritores Ubiratan Teixeira e Odylo Costa, filho – estes dois últimos em memória. Referências em suas áreas de atuação, os homenageados foram escolhidos em função do significativo valor de suas obras para as artes, a história e a cultura locais.

Os principais espaços criados para a realização de palestras, lançamentos de livros, debates e apresentações teatrais foram batizados nesta edição com o nome dos homenageados. Além disso, as obras dos literatos estão expostas em estandes montados na FeliS e podem ser adquiridas pelos visitantes.

Segundo a coordenadora da FeliS, Rita Oliveira, a escolha dos nomes de Mundinha Araújo, Ubiratan Teixeira e Odylo Costa, filho, como os grandes homenageados da oitava edição do evento, foi referendada por meio de votação em um grande seminário promovido no ano passado, do qual participaram membros da Academia Maranhense de Letras (AML), escritores, representantes da Associação dos Livreiros e de outros órgãos afins.

A escolha inconteste foi o nome do jornalista, cronista, novelista e poeta, Odylo Costa, filho, em função de se comemorar este ano o centenário de seu nascimento. Maranhense nascido na capital, Odylo Costa, filho é imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 1969, e da Academia Maranhense de Letras. Mesmo com formação em Direito, foi como jornalista que ele se destacou profissionalmente, sempre motivado por um espírito de renovação e modernidade.

Odylo trabalhou também como redator e diretor nos principais periódicos do Rio: Jornal do Comercio, Diário de Notícias, A Noite, Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, revistas Senhor e O Cruzeiro. Em Portugal, o escritor foi incluído entre os membros da Academia Internacional de Cultura Portuguesa. Foi crítico literário no Diário de Notícias entre 1952 e 1953 e publicou por vários anos uma crônica diária na Tribuna da Imprensa. Na vida pública, Odylo foi secretário de imprensa do presidente Café Filho e diretor da Rádio Nacional.

Estreou na literatura em 1933, com o livro Graça Aranha e outros ensaios, que venceria no ano seguinte o Prêmio Ramos Paz da ABL. Entre suas obras mais importantes estão o Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia (1966); Maranhão: São Luís e Alcântara (1971); Os bichos do céu, poesia (1972); Notícias de amor, poesia (1974); Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão (1975); Boca da noite (1979); Cantiga Incompleta (1971), A faca e o rio (1965), Um solo amor, antologia poética (1979); Distrito de Confusão, uma coletânea de artigos de jornais, na qual critica sutilmente a ditadura Vargas, entre outras obras.

Já a maranhense Maria Raimunda Araújo, mais conhecida como Mundinha Araújo, 70 anos, é jornalista, ativista, pesquisadora e licenciada em Comunicação Social. Uma das fundadoras do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN), em 1979, Mundinha desenvolve pesquisas sobre a resistência do negro escravo no Maranhão e já coordenou o Mapeamento Cultural dos Povoados de Alcântara.

A maranhense dirigiu o Arquivo Público do Maranhão (Apem) (1991-2002) e também foi organizadora da obra “Documentos para a História da Balaiada”, que juntamente com seus livros se constituem em um valioso banco de dados, cujas informações têm contribuído para a construção histórica do negro no Maranhão.

Entre suas publicações mais importantes estão “Breve Memória das Comunidades de Alcântara”, “A Invasão do Quilombo Limoeiro”, “Insurreição dos Escravos do Viana” e “Em Busca de Dom Cosme Bento das Chagas – Negro Cosme: tutor e Imperador da Liberdade”.

Presente ao lançamento da oitava edição da Feira do Livro de São Luís, Mundinha Araújo revelou que se sentia honrada e feliz com o reconhecimento ao seu trabalho de pesquisa. “A homenagem me estimula a continuar produzindo e contribuindo ainda mais para o conhecimento e a cultura local”, disse a pesquisadora.

O outro homenageado da 8ª FeliS é o também jornalista, cronista, contista, romancista e professor, Ubiratan Teixeira. Falecido em junho deste ano, aos 82 anos, Ubiratan Teixeira é maranhense de São Luís. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Maranhão e ocupava a cadeira nº 36 da Academia Maranhense de Letras.

Ubiratan teve participação ativa no jornalismo e na literatura maranhense. Foi um dos intelectuais mais importantes dos movimentos culturais e artísticos de São Luís, na segunda metade do século 20. Como jornalista começa no Jornal do Povo, em 1940. Nos anos seguintes, ele escreveu em diversos jornais da cidade, entre eles A Pacotilha/O Globo e Diário do Norte. Ele trabalhou também na TV Educativa do Maranhão como produtor e diretor de programas culturais, além de crítico e autor de textos teatrais.

Sua obra como ficcionista, retrata a sociedade maranhense de forma crítica e irônica. Ganhou vários prêmios, entre eles, o da AML, pela novela O Sonho (1976); o Domingos Barbosa, também da AML, pelos contos Histórias de Amar e Morrer, de 1978; o Prêmio Arthur Azevedo do Concurso Literário e Artístico de São Luís pela obra Caminho sem Tempo (1979); Prêmio Graça Aranha do XXIII Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís pela novela A Ilha (1997), entre outros.

Destacou-se também por outras obras como o Pequeno Dicionário de Teatro (1970); Sol dos Navegantes (contos,1975); Bento e o boi (teatro, 1987); O Banquete (novela, 1989) Búli-búli (teatro infantil, 1992); Pessoas (conto, 1998); Dicionário de Teatro (reedição, 2005) e Diário de Campo (crônicas, 2010).
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